Date: 22 Ago 2018

Após cerca de sete meses e nas pegadas do Nasdaq, o abrangente S&P500 atingiu ontem novos máximos históricos, prolongando assim o Bull market mais extenso da história de Wall Street, um movimento ascendente que nasceu das cinzas da crise financeira de 2008 e que teve a sua génese em meados de 2009, portanto há nove anos. Apesar das inúmeras ameaças à continuidade dos Bulls dominarem o mercado, o certo é que os investidores se têm guiado por uma das máximas do negócio, os lucros mandam e esses têm cumprido bem mais do que o expectável, apesar do ciclo económico estar já numa fase bastante adiantada para o que é habitual. Ontem foi a vez do sector dos bens de consumo não essencial a comandar as operações nas subidas, devido aos resultados acima do esperado da TJX Companies e Toll Brothers, que beneficiaram as empresas de construção imobiliária. Curiosamente as empresas de imobiliário estiveram em contra-ciclo e foram as que mais perderam valor no S&P500, em conjunto com outros grupos de empresas com carácter de menor risco, como as utilities e retalhistas de produtos de consumo essenciais.

Não obstante o desanuviar momentâneo do receio relativo à guerra comercial, as small caps, que estão menos expostas e esse risco foram ontem as que mais valorizaram com um ganho de 1,14%, bem superior ao 0,49% do Nasdaq, o mais forte dos três principais índices. O menor interesse por activos refúgio que foi evidente no mercado accionista, afectou igualmente o Forex, com o U.S dólar a ceder -0.4% contra um cabaz de outras moedas principais, ao passo que o Yen recuou para os 110.34. Sortes bem distintas para o Euro e Real, a moeda única aproveitou a fraqueza do dólar para adicionar 0,8% terminando nos $1.1572, enquanto que a moeda brasileira cedeu -1.4% para o mínimo de dois anos nos $4.03, em antecipação das eleições para a presidência do país, que segundo a última sondagem indicam uma incerteza bastante elevada quanto ao vencedor, dado a proximidade dos candidatos na preferência dos eleitores.

Para hoje de destacar o final da reunião do FED e respectivas declarações, que poderão mexer com o mercado, assim como a notícia que saiu ontem após o fecho sobre a declaração de culpado por parte do anterior advogado de Trump, nomeadamente sobre violar as regras da campanha eleitoral sob instruções do candidato.

O gráfico de hoje é do índice do USD/BRL, o time-frame é Semanal

Este par de moedas deverá testar os máximos de 2015, sendo a zona entre as linhas laranja de provável resistência à subida, pelo menos no curto prazo.

Marco Silva