Date: 18 Dez 2018

No rescaldo de uma sessão “negra” para os Bulls na sexta-feira, o sentimento à partida para esta semana era no mínimo tremido, pior ficou depois dos dados económicos que saíram e que reforçaram a noção de que a economia norte-americana já conheceu melhores dias, não é que esteja má, o problema é que as expectativas antes de Outubro foram demasiado elevadas e depois de alguma conversa acerca do pico de resultados começam agora a sair indícios recorrentes de um arrefecimento económico, o que trouxe e trará a natural correcção do risco nos portefólios, o busílis é que quando os investidores chegam a essa conclusão, chegam quase todos ao mesmo tempo, o que resulta num movimento de correcção acentuado e quase sempre repentino. O facto do sentimento no sector imobiliário dos EUA, medido pelo índice National Association of Home Builders/Wells Fargo Housing Market ter caído dos 74 em Novembro para os 56, provocou um terramoto nas empresas do grupo, que averbaram assim a maior queda no S&P500 com um recuo de -3,72%, bem acima dos -2,11% de perda que registou o S&P500.

Não obstante o pessimismo inicial e a abertura em baixa, o certo é que Wall Street logrou chegar a ver a terra da valorização, contudo foi mesmo um movimento de tocar e fugir, até porque a declaração do respeitado Jeffrey Gundlach, CEO da DoubleLine Capital, que afirmou sem grandes dúvidas que estamos num Bear Market, foi o catalisador que faltava para os Bulls deitarem a toalha ao chão. Goldman Sachs e Amazon acabaram por ser os principais protagonistas do mar vermelho que inundou todos os sectores sem excepção, a financeira pela notícia da queixa crime colocada pelas autoridades da Malásia devido ao envolvimento do grupo no escândalo 1MDB. Já a retalhista esteve condicionada pelo pessimismo que se abateu no sector e que levou a uma queda de -3,4% do S&P 500 Retailing Index, movimento que já tinha sido notório na Europa com o crash de -37.5% nos títulos da retalhista Asos Pl, que puxou todo o sector para um dia de vermelho carregado.

No Forex não houve dúvidas sobre a procura por activos refúgio, que ontem privilegiou o Yen, ao registar uma subida de 0.6% para os 112.77, enquanto que Libra inglesa e Euro adicionaram 0.4% e 0.3% num dia em que o U.S dólar cedeu -0.3%, em vésperas da importante reunião do FED e com a nuvem de uma possível paragem parcial do governo norte-americano, devido ao não entendimento entre Trump e o Congresso por causa do dinheiro para o presidente mandar construir o “seu” muro na fronteira com o México.

O gráfico de hoje é do Nasdaq, o time-frame é Semanal

O índice tecnológico começou a semana a quebrar em baixa o canal ascendente que referi recentemente, pelo que é de acompanhar este desenvolvimento dada à sua importância para o comportamento de médio-longo prazo de Wall Street

Marco Silva

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