Análises de Mercado

Mar azul no Congresso condiciona Wall Street

O inesperado há cerca de dois meses, aquando das eleições presidenciais norte-americanas, acabou por se tornar uma realidade esta semana, com a vitória de dois Democratas aos dois lugares em disputa nas eleições extraordinárias para o Senado do Congresso dos EUA, permitindo desta forma que os Democratas adicionem a maioria neste órgão legislativo, depois de já terem assegurado a maioria na Câmara dos Representantes, para além claro, da Presidência, através de Joe Biden. Na prática ambos os partidos irão ter 50 membros no Senado, contudo para evitar impasses com este tipo de distribuição de lugares, a Constituição concede à vice-presidente dos EUA, quem supervisiona os trabalhos no Congresso, o voto de desempate. Assim sendo e durante pelo menos os próximos dois anos, altura das eleições intercalares para o Congresso, Joe Biden terá bastante espaço de manobra para implementar várias políticas que defendeu em conjunto com o partido que o apoia, nomeadamente um pacote de estímulos substancialmente maior, ao mesmo tempo que apesar de ter essa possibilidade não deverá atacar o sector tecnológico, com regulamentação que obrigue ao emagrecimento das grandes empresas, no entanto é bastante mais provável que os cortes nos impostos aprovados no mandato de Trump terminem.

Este é o entendimento dos investidores para já, no rescaldo deste desenvolvimento que poucos antecipavam como possível, o que poderá despoletar no curto-prazo uma onda verde que no entanto pode muito bem mudar de cor para vermelho rapidamente, ou pelo menos localizada nas grandes tecnológicas, o que invariavelmente condicionaria bastante o potencial de subida dos índices. A indicação de que as expectativas são para mais estímulos chegou ainda ontem, quando as obrigações do tesouro dos EUA atingiram pela primeira vez, desde Março, os 1%, validando aquilo que é apelidado do “trade de reflação”, ou seja o investimento em sectores que irão beneficiar com o aumento dos preços, derivado de apoios à denominada Main Street, consumidores e pequenas empresas, em detrimento de Wall Street. Outra consequência do Mar azul será o aumento dos deficits comercial e orçamental, devido a mais gastos, o que poderá resultar na continuação da fraqueza do U.S dólar a médio-prazo, que segue hoje no entanto a ganhar 0,4% contra um cabaz de outras moedas principais, empurrando o Euro para um deslize de -0,5%, cotando o EUR/USD nos $1.2271.

De realçar que sexta-feira é dia de non-farm payrolls, o primeiro dado económico importante do ano, o que deverá manter a volatilidade acima do habitual, nomeadamente no Forex e nos pares onde a moeda norte-americana está presente.

O gráfico de hoje é do BRA50, o time-frame é Semanal

O índice brasileiro está na zona de novos máximos, um local a ter em consideração tendo em conta que pode oferecer alguma resistência.

Marco Silva

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