Análises de Mercado

Mão cheia de ganhos em tempos de pandemia

Se a meio de Março alguém dissesse que por esta altura os mercados accionistas estariam numa franca trajetória ascendente e a registar novos máximos históricos quase todas as semanas, seria certamente apelidado de extremamente optimista, para não dizer louco. O certo é que não obstante a brutal correcção verificada nos principais índices e activos o mundo financeiro de hoje não difere muito do de Fevereiro, acções a subir, pelo quinto mês consecutivo, e uma política monetária com dinheiro barato e fácil de forma generalizada nas principais economias. A nuance prende-se exactamente com a desistência por parte do FED de um movimento de normalização que se tinha iniciado em 2019, embora com pouca convicção, assim como um regresso a todo o vapor à expansão do balanço do banco central, com a semana passada a trazer um importante desenvolvimento que foi a quase garantia de que este status quo se manterá por um periodo alargado de tempo, pelo menos entre 3 a 5 anos, dependendo dos próximos capítulos da pandemia de COVID-19 e consequente impacto, maligno ou benigno, na recuperação económica.

É esta mentalidade dovish, ou o seu prolongamento no tempo, que resultou da nova política relativa à inflação decidida pelo FED, que tem castigado o valor do U.S dólar nas últimas semanas, isto porque o aproxima do que já era praticamente garantido que seria o comportamento do BCE, com algumas casas de investimento a indicarem o ano passado um período de 4 a 6 anos para a continuação dos juros baixos. Devido a esta aproximação de calendários para um eventual regresso à normalidade, o EUR/USD está agora em máximos de mais de dois anos, a caminho de testar os máximos de Fevereiro desse ano que se encontram nos $1,255, uma zona que a ser quebrada em alta poderá começar a causar apreensão na economia europeia, uma vez que os $1,30 são considerados um patamar insustentável para a competitividade das exportações do bloco europeu.

Mas se os índices continuam a desafiar a gravidade do bom senso, com o S&P500 a terminar Agosto com o melhor registo dos últimos 34 anos, é transversal a quase todos os principais intervenientes de mercado o facto das valorizações estarem acima do razoável, com todas as médias de avaliação de Price Earnings Ratio a estarem bem acima do habitual. Um desses intervenientes, Warren Buffett foi ontem notícia devido ao facto da sua empresa, a Berkshire Hathaway ter investido $6.2 biliões nas cinco principais empresas de trading japonesas, um valor que apesar de avultado é uma migalha na pilha de $146 biliões em dinheiro que a empresa detém e que Buffett tem achado por bem não colocar em cima da mesa, uma indicação valiosa sobre o que pensa o célebre investidor sobre a atractividade, ou falta dela, com que negociam os títulos norte-americanos, sendo que o “oráculo de Omaha”, como é apelidado, tem sido um indefectível optimista quanto ao futuro da maior economia mundial, contudo por agora Warren está nas linhas laterais, uma decisão que não deve ser menosprezada por qualquer investidor que esteja à procura de alguma luz, num cenário escuro quanto à sustentabilidade do Bull Market.

O gráfico de hoje é do Light Crude (WTI), o time-frame é Semanal

O “ouro negro” continua a consolidar na zona do fecho do GAP aberto no inicio de Março, tendo os $48 como nível de resistência à subida, onde se encontra a linha superior do canal descendente

Marco Silva

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