Análises de Mercado

Liquidez atropela avaliações em Wall Street

Mais um dia e mais uma sessão em que os touros dominam o sentimento. Pela quarta vez consecutiva Wall Street segue a subir indiferente aos vários sinais de instabilidade ou de incerteza que rodeiam a economia norte-americana, desde logo o tema da convulsão social que atravessa algumas zonas importantes dos EUA, derivado do homicídio de um cidadão negro desarmado, por parte da polícia, e que tem sido aproveitado por diversos lados para aproveitamento pessoal e político, nomeadamente Trump, mas não só, que ao seu jeito desafiador tem espicaçado ainda mais alguns sectores da sociedade que se manifestam por justiça.

Os números dos ADP Private payrolls que saíram foram recebidos com optimismo, pois não obstante terem indicado um agravamento da perda de empregos, mais 2,76 milhões em Maio depois de um total de 19,6 milhões em Abril, o valor foi bem melhor que os 8,75 milhões de perda previstos pelos economistas. Destaque para o facto das grandes empresas terem sido responsáveis por uma boa parte do desemprego criado com 1,6 milhões de redução, enquanto nos sectores o mais afectado foi a manufactura com 719,000 trabalhadores a perderem o emprego. Para sexta-feira é antecipado que os non-farm payrolls atinjam uma contracção de 8,33 milhões de postos de trabalho com a taxa de desemprego a chegar aos 19,6%, a mais elevada desde 1930.

Mas independentemente desta realidade negra no emprego, o certo é que os múltiplos de mercado continuam a subir, com o Price Earnings Ratio do S&P500 a ultrapassar os 21,5, muito perto dos máximos alcançados na crise das dot.com. A causa para tal já foi por mim abordada, a liquidez injectada por parte do FED e agora também pelo Governo norte-americano estão a atropelar qualquer estrada da razoabilidade na avaliação do mercado. rio de dinheiro fácil e barato que se está a estender ao resto do mundo, como a Europa, onde após um impasse inicial os estímulos começam a ver a luz do dia da sua aceitação e implementação por parte do bloco de países europeus, o que tem gerado uma onda de optimismo na moeda única.

Euro, que hoje avança mais 0,4% para os $1.121, em mais um dia de fraqueza para o U.S dólar que por sua vez recua -0.3% contra um cabaz de outras moedas principais, evidenciando algum desgaste com a situação social que se vive no país.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Semanal

O principal par de moedas está perto de testar a linha de tendência descendente de longo prazo (linha azul), uma zona importante.

Marco Silva

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