Análises de Mercado

Juros voltam a condicionar Wall Street, apesar do conforto de Powell

Mais uma dia de declarações do Presidente do FED e mais uma mensagem de resiliência por parte de Jerome Powell, no que respeita à paciência que o banco central terá com uma provável subida da inflação acima do nível desejado. Retórica que já era esperada pelo mercado e que não recolheu conforto nos investidores, que mais uma vez castigaram acentuadamente o sector tecnológico, bastando para isso que o juro das obrigações soberanas dos EUA a 10 anos tivesse atingido os 1,5%, ou seja uma variação pouco significativa mas que toca e ultrapassa um patamar chave nas decisões de investimento dos gestores de capital, dado que torna o segmento de renda fixa mais atractivo do que a estratégia de dividendos, bem como reduz o apetite por ativos de maior risco, como as tecnológicas com PER elevado.

Este não é um movimento novo de rotação de capital, contudo existem algumas diferenças em relação ao que ocorreu nos últimos meses e que permitiu ao ETF do Russell 2000 (IWM) uma valorização avassaladora quando comparada com o ETF do Russell 1000 Growth (IWF). Desde há um ano a valorização das empresas denominadas de “crescimento”, representadas pelo IWF é de 30%, enquanto que as de pequena capitalização é de 40%, contudo se reduzirmos o prazo para os últimos seis meses constatamos que as grandes empresas de crescimento estão praticamente inalteradas enquanto que as pequenas empresas registam um ganho de 35%, ou seja no último ano houve uma inversão substancial de estratégia no segundo semestre, com a preferência pelas small caps, ao passo que no semestre inicial as grandes empresas, nomeadamente de tecnologia, é que recolheram a maior do investimento.

Ora essa rotação aparentemente terminou, com o Russell 2000 a ter um comportamento igual ou por vezes mesmo pior do que as tecnológicas, como aconteceu ontem, ao averbar uma perda de -2.76% contra os -2.11% do Nasdaq. Por outro lado e tal como tem sido habitual nos últimos dias foi o Dow Jones que se comportou melhor recuando “apenas” -1.11%, ao passo que o S&P500 ficou por um comportamento mediano, entre os extremos, tal como é recorrentemente o caso. De realçar o facto do U.S dólar ter sido condicionado muito positivamente pela subida dos juros nas obrigações e indiferente às declarações de Powell, com a moeda norte-americana a subir 0.7%, o que ajudou a fomentar a pressão vendedora no segmento accionista, ao mesmo tempo que forçou o Euro e o Yen a quedas de -0.8%, para os $1.1971 e 107.92 respectivamente. Curiosamente e apesar do vermelho carregado em Wall Street os activos refúgio não deram sinais de grande procura, nem no Yen, ou no Ouro, que também cedeu -0.8% para os $1,698 por onça.

Hoje é dia de non-farm payrolls e será uma prova de fogo sobre a capacidade do mercado laboral voltar ao crescimento significativo, tendo em conta que ainda existem menos 10 milhões de trabalhadores nos EUA em relação ao pico pré-COVID, um dado que tem sido mencionado consistentemente por Jerome Powell para justificar que o banco central não irá mexer na política monetária.

O gráfico de hoje é do Russell 2000, o time-frame é Diário

O índice das small caps quebrou em baixa o canal ascendente em que se encontrava, um sinal bearish de curto-prazo.

Marco Silva

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