Análises de Mercado

Juros voltam a castigar as tecnológicas

Depois de na semana passada Wall Street ter sido assolada pela volatilidade, o mês de Março começou bastante mais pacífico, com uma sessão de abertura logo na segunda-feira que permitiu aos Touros um caminho tranquilo de recuperação do entusiasmo, derivado sobretudo pela acalmia dos juros nas obrigações soberanas dos EUA nas maturidades longas, com destaque para as de 10 anos que está a ser utilizada como referencial para a comparação relativa com o dividend yield do S&P500, sendo que a maior rentabilização do índice accionista nos últimos tempos versus as obrigações tem funcionado como um factor importante de fomento do principal índice.

 

Contudo esse domínio está agora a ser colocado em cheque e esta quarta-feira, de novo, os juros a 10 anos subiram para perto dos 1,5%, isto depois de terem começado o ano nos 0,917% e de terem atingido um mínimo de 0,508% no início de Agosto de 2020. Mas para além desta maior competitividade das obrigações em relação às acções de forma geral, a rotação de capital ocorre principalmente no sector das tecnológicas, tendo em conta que são empresas com retornos mais concentrados no futuro, o que se constata facilmente nos PER mais elevados, ora se passa a existir um veículo de investimento com maior rentabilidade no curto-médio prazo, então o valor relativo das tecnológicas cai, e é por isso que o denominado “reflation trade” tem privilegiado as empresas denominadas cíclicas ou da economia tradicional, dado que são estas que se esperam venham a beneficiar mais com a abertura gradual da economia, e portanto irão ter uma maior subida dos lucros no curto-médio prazo.

 

Daí que a sessão de quarta-feira, não obstante os três índices principais terem terminado no vermelho, registou histórias bem diferentes, com o Nasdaq a ceder -2.7% enquanto que o Dow Jones perdeu apenas -0.39% e essencialmente por causa das desvalorizações os títulos da Apple e da Microsoft, uma vez que quase metade das restantes empresas do índice industrial acabaram o dia com ganhos, com destaque para a Boeing, American Express e J.P. Morgan. A subida dos juros que apesar de pouco expressiva foi demolidora para a tecnologia ocorreu no dia em que no congresso dos EUA se deram mais uns passos importantes para a aprovação do pacote proposto por Joe Biden, com a redução do montante máximo de rendimentos, dos $100,000 para os $75,000, até ao qual os cidadãos poderão beneficiar dos cheques de $1,400, que se esperam venham a ser enviados na segunda parte do mês, visto que é previsto uma aprovação dos estímulos até dia 14 pela Casa dos Representantes, depois do documento lá regressar com as alterações inscritas pelo Senado.

 

Mas mais importante que os movimentos das últimas duas semanas é o facto de se começar a vislumbrar um modus operandi na reacção dos investidores que poderá durar bastante mais tempo, ou seja variações dos juros em alta, que deverão ocorrer nos próximos meses em ciclos de puxada/consolidação, trarão episódios de volatilidade acrescida, restando saber até quando a rotação de capital será tão agressiva como tem sido.

 

No mercado cambial a força dos juros também tem marcado a sua presença, contrabalançando a fraqueza esperada pelo aumento da liquidez e divida no sistema derivada dos estímulos, com o U.S dólar a valorizar ontem mais 0,3% contra um cabaz de outras moedas principais.

 

 

O gráfico de hoje é do Ouro, o time-frame é Semanal

O Ouro está numa trajectória descendente que começou exactamente na mesma altura em que as yields das obrigações soberanas dos EUA, de maior maturidade, começaram a subir, uma vez que também o Ouro perde valor relativo como forma de investimento quando os juros sobem.

Marco Silva

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