Análises de Mercado

Juros aliviam e Wall Street agradece

Depois de mais uma sessão de correcção, com o sector tecnológico a liderar nas perdas, o cenário para esta quarta-feira apresenta-se um pouco mais risonho, com uma perspectiva de recuperação do deslize de ontem se tivermos em conta o andamento dos futuros e na proporção inversa do registo de terça-feira, ou seja o Nasdaq tem para já o melhor desempenho no pré-market, enquanto que o futuro do Dow Jones é o que menos valoriza. O recuo das yields da dívida soberana dos EUA com maturidade a 10 anos para os 1,6% durante a madrugada deu o principal ímpeto para esta viragem no sentimento, tal é a correlação actual entre as duas forças de mercado, juros e acções, contudo na última hora essas obrigações já subiram o seu yield para os 1,624%, o que a continuar poderá fazer descarrilar a possibilidade de um dia positivo em Wall Street.

Na Europa o panorama é um pouco mais caótico, na medida em que o tema da pandemia ainda está longe de estar estabilizado, como acontece por exemplo nos EUA. Com efeito a subida recente do número de casos e de mortes relativos ao COVID-19 levou à inversão do desconfinamento na Alemanha, França e Itália, depois de um período de menor restrição que levou a uma forte recuperação da atividade manufatureira na zona Euro, com o IHS Markit’s flash composite PMI a subir ao ritmo mais elevado dos últimos 23 anos para os 52,5, retomando a expansão depois da contração verificada em Fevereiro quando o indicador ficou nos 48,8.

No mercado cambial o U.S dólar continua a sua caminhada ascendente aproximando-se do máximo do ano contra um cabaz de outras moedas principais nos 92.506, empurrando o EUR/USD para os $1,1826. De realçar que a força da moeda norte-americana poderá condicionar o optimismo no mercado accionista uma vez que os activos costumam navegar em sentidos inversos. Já nas matérias-primas o dia é de subida para o crude com o Brent a valorizar cerca de 3% para um máximo de $62,81 por barril, depois de um cargueiro ter bloqueado o estreito do canal de Suez.

Para hoje é de esperar uma sessão onde a rotação de capital poderá continuar a dominar os acontecimentos, seja para um lado ou para o outro, estando os investidores agora de olhos postos nos non-farm payrolls da próxima semana e sem grandes catalisadores no curto-prazo.

O gráfico de hoje é do Brent, o time-frame é de 4 horas

Depois de uma tentativa falhada de reconquistar a linha inferior do canal descendente, o “ouro negro” poderá ter outro teste decisivo a esse nível.

Marco Silva

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