Análises de Mercado

Investidores nas linhas laterais à espera de uma oportunidade

Depois do melhor período pós-eleitoral de sempre para os touros até ao dia da inauguração da presidência dos EUA, os investidores estão agora numa fase bastante mais cautelosa, a contar com o gigantesco pacote de estímulos anunciado pelo novo inquilino da Casa Branca, Joe Biden. Numa altura em que a chuva de dinheiro para os consumidores norte-americanos é ainda uma promessa o sentimento do mercado está dividido entre a situação dramática no campo da pandemia, com recordes a serem batidos quase todos os dias de infectados e mortos nas principais economias, e as medidas executivas que Biden já assinou e que vai assinar para atacar a crise de saúde pública de forma mais incisiva, como por exemplo a intenção de vacinar 100 milhões de cidadãos nos 100 primeiros dias do seu mandato.

Para além da incerteza sobre o tempo para a aprovação dos $1,9 trilhões em auxílios para a maior economia do mundo, que terão trajecto bastante facilitado para a sua aprovação pelo Congresso dos EUA, devido à maioria que os Democratas detém agora em ambas as câmaras do órgão legislativo, paira sobre o sentimento de mercado a incomoda instabilidade no controlo da pandemia de COVID, sendo ainda muito cedo para se ter resultados positivos da vacinação, os países mais populosos não têm conseguido travar a progressão do COVID-19, particularmente expansionista após a mutação para a denominada estirpe “inglesa”, uma variação do vírus que apesar de não ser mais mortífera é assustadoramente mais eficaz na transmissão, cerca de 70%, o que a tornou rapidamente como a estirpe dominante nos principais países europeus, e que já se propagou para muitos outros fora da geografia europeia.

Igualmente condicionador de optimismo é o facto de se estar a iniciar mais uma earning season, que está cheia de incógnitas, não tanto no que respeita ao quarto trimestre, que se espera tenha sido uma desilusão em relação ao antecipado há seis meses, mas principalmente porque o mercado aspirava a que por estes dias já fosse possível haver outlooks risonhos para o ano de 2021, algo que poderá ser difícil de encontrar pelo simples facto de que os responsáveis das empresas poderão mais uma vez restringir a retórica no campo das previsões de médio-prazo, tal como o têm feito desde o primeiro trimestre do ano passado. Assim sendo ontem Wall Street navegou por águas de indefinição e apesar do Nasdaq ter atingido um novo máximo histórico o mote a reter da sessão foi mesmo a de uma consolidação, com o Dow Jones a ceder uma dúzia de pontos, enquanto que o S&P500 terminou praticamente inalterado.

Para esta sexta-feira o cenário poderá não se alterar significativamente ficando para a próxima semana a definição para um novo movimento a imprimir pelos investidores, até porque os próximos dez dias de negociação serão bastante mais movimentados ao nível da apresentação de resultados, o que poderá dar o impulso que o mercado precisa para um aumento da volatilidade.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 4 horas

Depois do rebound na linha a azul, o principal par de moedas pode efectuar um padrão de Head&Shoulders, caso quebre em baixa essa mesma linha, visto que terá já formado o segundo ombro do padrão.

Marco Silva

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