Análises de Mercado

Investidores esperam por boas novas, mas sem grande esperança

Tal como era expectável o ruído sobre um eventual novo pacote de estímulos para suportar a economía norte-americana continua a prevalecer, numa altura crucial em que o mercado de trabalho dá sinais de abrandamento da retoma, resultante em boa parte dos apoios já implementados logo na fase inicial da pandemia, contudo com o final do Cares Act e de outros instrumentos para sustentar artificialmente a actividade da económica, assim como do regresso apenas parcial da ritmo de comércio, o cenário agora é bastante menos risonho do que uma recuperação em V, mas também não tão dantesco como as piores previsões em Março. Acresce que não só a economia tardará a regressar aos níveis pré-COVID, como a própria estrutura do tecido económico mudou, de uma forma que para já ainda não é totalmente cristalina, mas que tem implicações ao nível dos sectores que deverão sobreviver e até mesmo se fortalecer, como é o caso das tecnológicas e dos serviços de transporte, não sendo de espantar que o Dow Jones Transportation por exemplo esteja em máximos históricos ou que as grandes tecnológicas tenham uma valorização desde o início do ano que excede largamente a média do mercado, sendo aliás este grupo ultimamente considerado como um activo refúgio contra um agravamento da situação da pandemia.

Como já tinha referido anteriormente o mercado não espera um final feliz para as negociações entre Democratas e Republicanos com vista ao novo pacote de estímulos, pelo menos até às eleições, e ontem isso ficou bem patente com mais um jogo de retórica entre ambas as partes, cabendo a Nancy Pelosi o pedido por um acordo mais abrangente, recusando a proposta mais leve apresentada pelos Republicanos, sendo no entanto curioso a frase de Trump sobre o impasse, “go big or go home”, restando saber se o “big” se referia ao montante e se isso foi uma crítica ao partido que o suporta. Mas seja como for a ideia dominante nesta fase é a de que os Democratas vão ganhar a Casa Branca e dominar o Congresso, esperando os investidores por um balão de oxigênio bastante generoso depois do acto eleitoral e até ao final do ano, não sendo óbvio como tal será feito, uma vez que mesmo que Trump perca as eleições só sairá do cargo no início de Janeiro, isto se não contestar o escrutínio.

Portanto depois de uma sessão de alguma consolidação, o sentimento para esta quarta-feira não mudou muito, não há tendência definida e os resultados que têm saído do sector financeiro, bem como os eventos da Apple e da Amazon, não trouxeram nenhum entusiasmo adicional. Já no mercado cambial o dia é de volatilidade nos pares onde a Libra inglesa está presente, visto que após uma primeira fase matinal de queda a moeda de sua Majestade está agora a recuperar, depois de ser conhecido que contrariamente ao que foi indiciado por Boris Johnson, o Reino Unido vai continuar a negociar com a União Europeia para além do limite de 15 de Outubro.

O gráfico de hoje é do EUR/GBP, o time-frame é de 4 horas

Este par de moedas continua dentro de um canal descendente que deverá condicionar o seu sentido no curto prazo, contudo é de notar uma ligeira tendência positiva, visto que não foi testar a linha inferior.

Marco Silva

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