Date: 06 Ago 2019

Depois de alguns meses de ilusão auto-sustentada, quanto à possibilidade dos EUA e a China chegarem a bom porto no que a um acordo para o impasse na guerra comercial diz respeito, os investidores aparentam ter sido chamados à realidade de forma brusca, depois da China ter dado claras indicações de que não tem a minha intenção de ceder às tarifas de Trump, nem tão pouco à sua retórica, tendo permitindo ontem que o Yuan se tenham desvalorizado contra a moeda norte-americana, ultrapassando a barreira dos 7 yuan por U.S dólar, um nível que não tinha sido atingido nos últimos 11 anos devido à intervenção, pelo menos até ontem, das autoridades chinesas.

Para além disso a notícia da Bloomberg News de que as empresas estatais chinesas tinham ordens para suspender as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos, reforçou bastante o pessimismo quanto ao futuro do comércio e da economia mundial, um novo desenvolvimento que deu alento à ideia de que o FED poderá mesmo ter de reduzir os juros já na próxima reunião de Setembro, com o mercado a contar com uma descida de juros na ordem de 1% até final de 2020. O grupo mais afectado com o agravar das tensões comerciais foi sem dúvida o tecnológico, que tem na China uma fonte substancial das suas receitas, com o Nasdaq a registar a maior perda do dia ao deslizar -3.47%, contra a queda de -2.9% no Dow Jones.

No S&P500, o panorama foi igual, com a tecnologia a liderar as desvalorizações com um trambolhão de -4.07%, numa sessão em que nenhum grupo se safou do vermelho carregado e até as utilities, usualmente mais defensivas, recuaram -1.51%, ao passo que as energéticas voltaram a sofrer com a possibilidade de um arrefecimento da economia mundial, bem como da hipótese da China vir a comprar crude do Irão, fazendo assim frente às sanções impostas pelos EUA, dados que levaram à perda de valor do “ouro negro”, ontem para os $54.69 por barril.

No mercado cambial o Euro brilhou ao ganhar 0.8% para os $1.1196, enquanto que o Yen continuou alvo da procura por activos refúgio que empurrou a moeda nipónica para os 106.17. Já o Ouro quebrou os máximos de meados de Julho para os $1,476 por onça, assumindo-se também agora como um activo procurado por quem foge do risco do mercado accionista. Já depois do mercado encerrar o tesouro norte-americano considerou a China como manipulador de moeda, o que deverá fazer estragos no optimismo na sessão de hoje.

O gráfico de hoje é do Ouro, o time-frame é Diário

O preço do metal precioso quebrou o enguiço do mês passado e tem agora algum espaço livre para “correr” até aos $1.500 por onça.

Marco Silva