Date: 15 Set 2017

Num cenário pouco comum este ano, ontem os investidores foram confrontados com dados positivos sobre a inflação nos EUA que pela primeira vez em cinco meses saíram acima das previsões do mercado, não apenas na componente global, mas no mais importante indicador, a core inflation, ou seja excluindo o preço da energia. Nomeadamente o Consumer Price Index subiu 0,4% em Agosto depois de um incremento de apenas 0,1% no mês anterior. Em termos anuais o valor atingiu os 1,9%, acima dos 1,8% estimados, enquanto que no Core CPI, os dados indicaram uma subida de 0,2% em relação a Julho para um ganho anual de 1,7%, acima dos 1,6% previstos. Contudo serão necessários mais alguns meses de informação para se aferir com alguma fiabilidade se este indicador tão importante para a decisão do FED sobre as taxas de juro, está ou não a caminho dos objectivos de 2%, estabelecidos pelo Banco Central, até porque uma boa parte da melhoria dos preços se deveu à componente de alojamento e melhoria de habitação, assim como será previsível que os preços venham a subir temporariamente devido às disrupções criadas pelos diversos furacões. No final do dia Wall Street terminou indefinida com o Dow Jones em máximos históricos e o Nasdaq a ceder -0.5%.

Apesar do aumento da inflação e até porque não haverão mais dados económicos relevantes até lá, não é expectável que ocorra uma mudança significativa nas declarações de Janet Yellen, na reunião da próxima semana, contudo para o encontro de Dezembro o mercado subiu as suas expectativas para a possibilidade de vir a ocorrer uma alteração do custo do dinheiro, mais concretamente 52% de probabilidade. A suportar a ideia de que não haverão alterações no curto prazo, foi a reacção do U.S dólar, que normalmente valorizaria com as perspectivas de uma subida dos juros, mas tal não aconteceu e a moeda norte-americana acabou mesmo por recuar -0.3% contra um cabaz de outras moedas principais. Já a Libra inglesa foi a estrela da sessão ao avançar 1,4% para o valor mais elevado de quase um ano nos $1.3397, esta performance foi devido às indicações dadas pelo Governador do BOE, sobre a possibilidade de uma subida dos juros nos “próximos meses”, movimento que poderá ocorrer na reunião de Novembro.

Já depois do mercado fechar a notícia de mais um lançamento de um míssil, por parte da Coreia do Norte, que atravessou espaço aéreo japonês, condicionou negativamente o sentimento, facto que deverá continuar durante a sessão de hoje, até porque é dia de reunião do Conselho de Segurança da ONU, para abordar este último desenvolvimento no conflito.

 

O gráfico de hoje é do GBP/USD, o time-frame é Semanal

Devido à força recente da moeda inglesa, este par de moedas quebrou a linha de tendência superior (verde), que vinha desde os mínimos do ano passado, pelo que agora o próximo local de resistência ascendente encontra-se na linha vermelha

Marco Silva