Análises de Mercado

Inflação mancha Wall Street de incerteza

Da mesma maneira que nos últimos anos as más notícias têm quase sempre originado boas sessões nos índices norte-americanos, com algumas excepções, o inverso também tem sido norma, ou seja as boas notícias provocam uma reacção negativa que por vezes é significativamente violenta, nomeadamente no aumento da volatilidade, como aconteceu em Outubro de 2018 e como se constatou quinta-feira. E nem se pode dizer que o caso seja muito significativo, em termos relativos claro, mas o simples facto da taxa de juro a 10 anos das obrigações soberanas dos EUA ter subido com alguma intensidade para os 1,6%, despoletou uma forte disrupção no mercado, com os investidores como que a acordarem para uma realidade que poderá estar a bater à porta, sendo importante no movimento de ontem, para além da oscilação superior ao esperado nos juros, a relação desse nível com o Dividend Yield do S&P500.

Isto porque o retorno do principal índice accionista no que respeita aos dividendos das empresas que o constituem está na ordem dos 1,5%, um valor que justificava um investimento no mercado accionista só mesmo na perspectiva de renda fixa, dado que os juros andaram em Agosto de 2020 na ordem dos 0,5% na maturidade dos 10 anos, tendo atingido os 1,1% no início deste ano. Com a ultrapassagem da rentabilidade nas obrigações e com a possibilidade desse movimento continuar e ser expandido na margem nos próximos meses, o mercado ressentiu-se e Wall Street registou um dia como não registava desde Outubro do ano passado, com o Nasdaq a recuar mais de -3.5%, tendo em conta que é um sector com aversão à subida dos juros, ao contrário das financeiras e energéticas, estas últimas que já lideram nos ganhos em 2021, uma reviravolta depois da fraca performance do ano passado, quando o preço do crude transacionou em valores bastante inferiores.

Mas isso foi quinta-feira, hoje e com os juros a 10 anos num nível inferior aos 1,5% o sentimento está francamente menos pessimista, contudo a volatilidade mantém-se elevada, com oscilações acima do normal e com o índice industrial em contra-ciclo ao averbar uma perda de -1%, enquanto que o Nasdaq amelha um ganho de 1% e o S&P500 vagueia entre o verde e o vermelho, portanto uma inversão da sessão anterior onde a tecnologia foi o sector mais fraco. Esta sexta-feira é igualmente importante porque é quando se espera que os Democratas na Casa dos Representantes aprovem o pacote proposto por Joe Biden de $1,9 triliões, devendo depois o documento ir para o Senado para a “reconciliação”, o que se espera que aconteça até meados de Março, e não obstante alguns pontos poderem vir a ser retirados para aprovação final, o principal como os cheques de $1,400, mais os acréscimo de $400 semanais no subsídio de desemprego federal, não deverão ter obstáculos de maior e portanto é esperado para final do próximo mês mais uma avalanche de liquidez vinda dos pequenos investidores, tal como ocorreu o ano passado e mais recentemente no início do ano, o que por ser turno poderá proporcionar mais uma perna do Bull Market.

O gráfico de hoje é do Footsie, o time-frame é Semanal

Apesar da recuperação desde os mínimos de Março de 2020, o índice londrino não foi ainda capaz de quebrar os máximos pré-COVID, muito por culpa da valorização da Libra que pressiona negativamente o mercado accionista

Marco Silva

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