Date: 03 Nov 2017

Sessão interessante e bem movimentada a de ontem em Wall Street, com cerca de 20% de volume a mais em relação à média dos 20 dias. Diversos factores contribuíram para o corrupio de negócios, contudo a apresentação da proposta para a reforma fiscal nos EUA foi a que mais impacto causou, a começar pela habitual dança de cadeiras entre os sectores mais beneficiados e os mais prejudicados. Com a possibilidade de uma redução de 50% nos populares benefícios fiscais para a a habitação, o sector afecto à construção habitacional do S&P500 desvalorizou -2,5% enquanto que ambos os sectores relativos ao consumo encerraram o dia no vermelho, visto que tal corte deverá levar a menos disponibilidade financeira das famílias. Por outro lado, a componente de poupança financeira ou os famosos 401(K) ficou inalterada na proposta, o que permitiu ao grupo dos gestores de capital averbar ganhos. Outro ponto importante foi a redução da taxa de imposto para as empresas para os 20%, contudo a taxa de repatriamento de capital caiu para os 12%, um valor que desiludiu os investidores, especialmente do sector tecnológico, grupo onde existem grandes somas de dinheiro parqueadas no estrangeiro, à espera de uma oportunidade mais vantajosa para injectar esses montantes no sistema norte-americano, a Apple por exemplo divulgou ontem que detém $246 biliões fora de portas, ou 94% de todo o seu cash no balanço.

Por fim foi confirmada a escolha de Jerome Powell, actual Governador do FED, para substituir Janet Yellen na presidência do banco central, o que ajudou à recuperação do mercado na medida em que Powell é visto como uma continuação da politica mais dovish seguida por Yellen. No final da sessão apenas as tecnológicas não conseguiram reverter por completo das perdas, embora o Nasdaq tenha recuado apenas -0.02%. No Forex, a proposta para a reforma fiscal não foi favorável ao U.S dólar e a moeda norte-americana cedeu -0.3% contra um cabaz de outras moedas principais, o mesmo valor que recuou contra o Euro, para os $1.1651. No dia em que o Banco de Inglaterra subiu as suas taxas directoras, pela primeira vez numa década, a moeda inglesa perdeu -1% de valor, devido à pouca probabilidade de tal vir a ser repetido no curto prazo, até porque a decisão não foi consensual, uma vez que existe o receio acerca da capacidade da economia do Reino Unido enfrentar o Brexit sem uma disrupção económica significativa.

Para hoje todos os “olhares” estarão nos non-farm payrolls, dado que têm o poder de movimentar de forma acentuada os mercados, razão pela qual cautela é aconselhada na utilização de alavancagem

 

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Diário

O principal par de moedas continua a movimentar-se dentro do Head&Shoulders que referi anteriormente, tendo agora testado e não quebrado a linha dos ombros a azul e respeitando entretanto um canal descendente (amarelo)

Marco Silva