Análises de Mercado

High yield, low tech

É uma relação causa-efeito que tem sido inequívoca e que nunca como agora foi tão forte, refiro-me à relação de comportamento inverso entre os títulos das empresas tecnológicas e as taxas de juro das obrigações soberanas dos EUA têm registado. Primeiro foi o nível dos 1,5% nos títulos com maturidade a 10 anos do tesouro norte-americano, que provocaram o primeiro terramoto no Nasdaq, um patamar que equiparou o rendimento fixo dessa dívida ao rendimento dos dividendos das empresas do S&P500, retirando interesse pelo mercado accionista, tendo em conta que parte do capital que tem estado investido em acções apenas lá se encontrava por falta de alternativas viáveis nas obrigações.

Há uns dias foi a vez do degrau dos 1,6%, uma diferença que pode parecer marginal mas que colocou particularmente o sector tecnológico sobre pressão vendedora, o mesmo movimento que ocorreu nesta quinta-feira quando os juros a 10 anos pularam para os 1,75%, não obstante um dia antes Jerome Powell ter de novo referido que a política monetária do FED não se iria alterar no curto-prazo e depois da média das previsões dos membros do banco central, para a primeira subida dos juros, se ter mantido para depois de 2023. A questão, tal como tenho referido, é que o mercado não está a dar grande credibilidade na capacidade de Powell em manter essa promessa, até porque o número de membros que antecipam um regresso à subida dos juros antes de 2024 está muito perto de se tornar maioria, o que a acontecer será a confirmação que os investidores esperam sobre o fim do ciclo mágico de juros baixos e ampla liquidez, sendo certo que apesar do custo do dinheiro poder vir a subir isso não implica obrigatoriamente que a mão do todo poderoso FED não se mantenha dominante, com a manutenção ou até expansão do seu balanço.

Seja qual for o tempo para uma alteração do paradigma o certo é que a mentalidade dos investidores já mudou, deitaram definitivamente fora o caderno da estratégia anterior para uma onde as avaliações das empresas mais esticadas na sua avaliação perderam parte do seu brilho, independentemente do potencial de crescimento futuro, até porque a subida dos juros no imediato reduz consideravelmente a atractividade de um potencial rendimento no futuro. Veremos se e durante quanto tempo tal rotação de capital se irá manter nos mesmos moldes a cada subida dos juros, que por agora é de uma contração de -3% no Nasdaq por cada 0,1% de aumento nos juros, sabendo que a partir de um determinado nível de correção o sector começa a reganhar o interesse, isto para não falar no impacto positivo potencial que poderá advir na injeção enorme de liquidez que está a chegar aos bolsos dos norte-americanos, com muitos deles a terem o mercado accionista como destino para os cheques de $1,400 que já foram enviados para quase 100 milhões de beneficiários.

Nas matérias-primas, destaque para a quinta queda consecutiva do preço do crude, ontem mais 7%, com perspectivas de um menor consumo, dado que algumas economias importantes estão a regressar ao confinamento.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 4 horas

O principal par de moedas quebrou em alta a linha de tendência, mas ainda se encontra vulnerável no curto-prazo, pelo menos até validar o teste dessa mesma quebra

Marco Silva

A informação fornecida não constitui pesquisa de investimento. O material não foi preparado de acordo com os requisitos legais destinados a promover a independência da pesquisa de investimento e, como tal, deve ser considerado uma comunicação de marketing.
Todas as informações foram preparadas pela ActivTrades (“AT”). As informações não contêm um registro dos preços da AT, nem uma oferta ou solicitação de uma transação em qualquer instrumento financeiro. Nenhuma representação ou garantia é dada quanto à exatidão ou integridade desta informação.
Qualquer material fornecido não tem em conta o objetivo de investimento específico e a situação financeira de qualquer pessoa que possa recebê-lo. O desempenho passado não é um indicador confiável de desempenho futuro. AT fornece um serviço somente de execução.
Consequentemente, qualquer pessoa que atue na informação fornecida o faz por sua conta e risco.