Date: 29 Mai 2019

Depois do fim de semana prolongado em Wall Street, devido ao feriado de segunda-feira relativo ao Memorial Day, os investidores regressaram ao mercado com algum optimismo, suportado pelos bons dados sobre a confiança do consumidor norte-americano que bateu as previsões, subindo em Maio para os 134.1 contra os 130 esperados. Contudo esse estado de espírito positivo durou pouco tempo e após trinta minutos de negociação os índices norte-americanos já rondavam a linha do inalterado, para depois da hora de almoço afundarem de forma consistente e algo pronunciada, até ao fecho da sessão, levando o Dow Jones para um recuo de -0.94%, ligeiramente pior que os -0.84% de perda no S&P500, enquanto que o Nasdaq se ficou pela menor desvalorização, ao deslizar -0.39%, um melhor registo em parte por causa da intenção da Global Payments em adquirir a Total Systems Services por $21.5 mil milhões.

O pessimismo que se abateu em Nova Iorque no final do dia deveu-se essencialmente a dois factores, primeiro a notícia de que um funcionário governamental chinês referiu a possibilidade da China utilizar o seu monopólio dos metais raros no conflito comercial, impedindo por exemplo a sua venda às fabricantes tecnológicas dos EUA, enquanto que num artigo de opinião que saiu no fim de semana, no media estatal Xinhua, indiciou o que já todos sabemos, a China não irá alterar a sua forma de gerir a economia, o que não perspectiva nada de bom para uma eventual resolução da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Igualmente bearish foi o facto dos juros das obrigações soberanas norte-americanos a 10 anos, ter caindo para mínimos de 19 meses e abaixo dos valores alcançados em Outubro, agudizando a denominada “inversão das yields”, visto que os juros a 3 meses estão agora mais caro, um indicador potencial de uma recessão no horizonte e o catalisador principal da forte correcção no início do último trimestre de 2018.

Curioso o facto de que apesar do vermelho no S&P500, os sectores mais afectados foram os dos activos refúgio geralmente beneficiados por quedas nos restantes e por juros mais baixos, registo mais negativo que as próprias financeiras, o grupo que habitualmente é o mais castigado quando as yields recuam. No mercado cambial, os bons dados económicos que saíram e alguma procura por segurança, deram alento para o U.S dólar amealhar 0.3% contra um cabaz de outras moedas principais, empurrando a moeda única para uma queda de -0.3%, terminando nos $1.1164.

O gráfico de hoje é da EDP, o time-frame é Semanal

O preço da energética portuguesa consegui aguentar-se no canal superior do “pitchfork”, estando no entanto agora perto de testar a linha superior do mesmo, zona que poderá oferecer resistência à subida

Marco Silva