Date: 08 Jun 2018

Foi uma sessão bem interessante e movimentada ontem em Wall Street, com notícias relevantes de vários sectores que provocaram um volume dez porcento acima do habitual e que os índices norte-americanos tenham terminado com sortes distintas. O sector tecnológico, após três dias com registo de novos máximos começou ontem em baixa e não mais largou a pressão negativa. As quedas dos títulos da Microsoft e o Facebook foram o principal catalisador para o dia negativo no sector que tem a melhor performance este ano, contudo outros dois tópicos agudizaram ainda mais a pressão vendedora, desta feita em todos os indices, refiro-me em primeiro lugar à turbulência no mercado cambial brasileiro e turco, com ambos os bancos centrais desses países a intervirem no mercado para tentar evitar a desvalorização das suas moedas, tendo apenas a lira turca sentido mas efeitos positivos ao terminar com ganhos.

Esta instabilidade nos mercados emergentes levou à procura por activos refúgio o que para além dos habituais ganhos no Yen, 0,5% para os 109.68 e do ouro, 0,1% para os $1,297, teve também a participação das obrigações soberanas norte-americanas, o que por sua vez levou a uma queda das yields. Os sectores de refúgio foram privilegiados, como as telecom, sendo apenas suplantados nas subidas pelas energéticas devido à valorização de 1,9% no preço do Crude. O segundo tópico que dominou o sentimento foi a reunião do G7 que terá lugar este fim de semana e que promete ser muito importante, isto porque o tema do comércio e das tarifas alfandegárias estará em cima da mesa, com o Canadá, Alemanha, Italia e França a demonstrar o seu desagrado pelas tarifas impostas recentemente por Trump. O ambiente é de tensão, Trump tem através do seu programa favorito de propaganda, o Twitter, enviado recados ao primeiro ministro canadiano e à Europa, tendo desta feita havido uma resposta por parte do presidente francês. Macron referiu a possibilidade dos restantes seis países na cimeira chegarem a um acordo, deixando os EUA de fora.

Ou seja os investidores preferiram esperar para ver o que vai sair da cimeira, até porque para a semana haverão as importantes reuniões do FED, de onde deverá sair mais uma subida de juros, e do BCE, de onde poderá sair um timeline para o fim dos estímulos.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é de 3 minutos

Hoje um excelente exemplo de como uma linha de quebra (verde), serve para indicação futura de um ponto de entrada. O ponto A, atingido ontem e que correspondeu a um local de entrada long, é o mesmo de um anterior máximo (B) que indicou o preço alvo para o duplo fundo que referi ontem

Marco Silva