Análises de Mercado

FED não mexe e Touros ficam de fora

A sessão já não estava sobre um sentimento propício para os Touros, com os investidores a castigarem os títulos da Boeing com a maior desvalorização no Dow Jones, após a mítica fabricante de aviões ter registado uma perda de $6.5 biliões derivada das consequências da pandemia no negócio dos novíssimos 777X, isto depois do grande buraco criado pelos famigerados 737MAX que estiveram parados cerca de dois anos devido a questões de segurança. Do lado positivo de pouco valeu o ganho inicial nas ações da Microsoft, justificado com a apresentação de resultados acima das previsões, muito por causa dos negócios que tiveram um acréscimo de procura em consequência da pandemia, que obrigou a um aumento significativo do trabalho remoto, como por exemplo da Cloud, segmento de negócio que têm proporcionado aos outros grandes nomes da tecnologia uma valorização muito significativa, como Apple, Google e Amazon, visto que é uma ferramenta considerada como padrão no futuro de médio prazo.

Mas o optimismo que a Microsoft fomentou foi de pouca duração e nem sequer conseguiu livrar os índices do vermelho que dominou durante todo o dia, em particular depois de serem conhecidas as conclusões da reunião do FED. Com efeito e tal como se esperava Jerome Powell e restantes parceiros no principal banco central do mundo, em nada alteraram a política monetária, contudo e não obstante a referência a um cenário mais positivo no final do ano, o certo é que a análise para o curto prazo foi pouco animadora, com indicação de riscos significativos, nomeadamente na velocidade de imunização da população e nos estragos provocados pelas medidas de quarentena impostas em diversos locais dos EUA, desde a última reunião. Resumidamente a retórica foi a mesma, fazer tudo o que estiver ao alcance do FED para suportar a economia até que a crise esteja definitivamente ultrapassada, como por exemplo a recuperação dos postos de trabalho perdidos, mantendo o montante de compras mensais no valor de $120 biliões, assim a manutenção dos juros nos níveis actuais.

O problema é que os investidores ficaram desiludidos com a ausência de novidades, não apenas por causa das previsões menos risonhas para o curto-prazo, mas igualmente porque assim fica só em cima da mesa o tema dos estímulos fiscais como tábua de salvação, sabendo de antemão que o pacote de $1,9 trilhões pretendido por Joe Biden deverá ser aprovado apenas em meados de Março, deixando poucos motivos para que os Touros continuem a carregar nos índices, que transacionam em múltiplos muito acima do normal e em zona de bolha.

Este pessimismo dificilmente dará lugar a um regresso a uma nova onda Bullish, a menos que exista uma alteração de qualquer destes obstáculos, mas da mesma forma não é previsível uma correção significativa em Wall Street, pelo que poderemos assistir a uma fase de consolidação nos próximos tempos.

O gráfico de hoje é do Brent, o time-frame é semanal

O preço do ouro negro têm ainda mais algum espaço para subir, antes de encontrar a linha superior do canal descendente, que poderá oferecer resistência extra.

Marco Silva

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