Date: 01 Ago 2019

Não se pode dizer que era inesperada a reacção agressiva de ontem em Wall Street, referi inclusive umas horas antes que os investidores não se iriam contentar com um corte de -0.25%, mas que ansiavam por algo mais concreto quanto ao futuro, nomeadamente que o processo de easing monetário iria continuar. Ora foi nesta segunda parte que Jerome Powell não fez a vontade ao mercado, indicando antes que o corte ontem efectuado era apenas uma correcção de meio de ciclo e não um começo de um processo continuado de baixa de juros, adicionando depois que também não estava a dizer que seria apenas um único movimento descendente, mas apenas que mais descidas não estavam garantidas.

Powell justificou a decisão como uma medida de precaução contra as incertezas que rodeiam a economia global no geral e norte americana em especifico, onde se conta a questão da guerra comercial, com o tema a ficar adiado até Setembro, depois das reuniões inconsequentes no concreto, entre as partes. Outros dois dados importantes são a inflação que teima em não se aproximar do objectivo de 2% do FED, estando nos 1,6%, isto quando a actividade manufactureira a nível global está em contracção, em mínimos de Outubro de 2012, ao mesmo tempo que na zona Euro o crescimento económico caiu para metade no último trimestre.

Não obstante as desvalorizações ligeiramente superiores a -1% nos três principais índices norte-americanos, o panorama poderia ter sido bem pior, visto que logo após as declarações do presidente do FED que indiciaram que não era um novo movimento que estava a ser iniciado, os investidores vergaram Wall Street a quedas que quase dobraram o valor registado no final do dia.

Nos sectores foi tudo corrido a vermelho, com as imobiliárias a serem as menos afectados pela onda vendedora, enquanto que no mercado cambial o U.S dólar foi naturalmente o herói do dia, ao amealhar 0.4% contra um cabaz de outras moedas principais, ajudando a empurrar a moeda única para uma perda de -0.7% nos $1.1077, prejudicada pelos maus dados económicos.

Hoje será a prova dos nove sobre a fiabilidade da reacção de ontem, sendo de notar que o volume na quarta-feira foi muito acima do habitual com quase 9 biliões de negócios efectuados, contra a média de 7 biliões em período normal e dos 6 biliões que tem sido a bitola nos últimos dias.

O gráfico de hoje é do EURUSD, o time-frame é diário

O principal par de moedas continua dentro do canal descendente, tendo ontem respeitado a sua linha inferior encontrando aí uma zona de suporte.

Marco Silva