Date: 24 Dez 2018

A sessão de quarta-feira em Wall Street foi uma história de três partes, a primeira desde logo condicionada positivamente pela performance optimista das praças europeias, que à hora de abertura dos índices norte-americanos registavam ganhos interessantes muito por causa do acordo entre a União Europeia e a Itália respeitante a um deficit de 2,04%, no orçamento de Estado para 2019, contra os 2,4% anteriormente previstos pelo executivo italiano. O Stoxx 600 terminou com um ganho de 0.31%, contudo aquando do fecho o S&P500 ainda registava uma valorização de 0,6%, o que poderá provocar uma pressão vendedora adicional hoje na abertura das praças da Europa.

A primeira fase do movimento de ontem foi então de ascendência quase ininterrupta até às 14h de Nova Iorque, altura em que o anúncio do FED causou uma disrupção completa no sentimento, levando os índices de ganhos robustos à vista de território negativo, isto porque uma boa parte dos investidores contava que não houvesse subida e ainda mais antecipava uma suspensão do movimento de subida para 2019, o que não veio a ocorrer, com efeito o banco central norte-americano não só aumentou a taxa de referência em 0,25% para os 2,25%-2,5%, como indicou duas subidas para 2019. Certo que é menos um aumento para o ano que vem, mas as indicações que tais opções deram ao mercado foram de uma mentalidade bem mais hawkish do que a maioria esperava, depois de diversos dados económicos terem indiciado um arrefecimento da economia dos EUA, bem como mundial, isto para além do pico dos resultados que uma boa parte das empresas indiciou na última earnings season através dos seus outlooks.

Não obstante o pessimismo os índices encetaram uma ligeira recuperação que no entanto durou por pouco tempo, pois em resposta a perguntas dos jornalistas, Jerome Powell, Presidente do FED, deu início à terceira parte do movimento quando indicou que pretende seguir com o caminho até agora definido no que à redução de activos diz respeito, nomeadamente retirando $50 biliões de liquidez que o FED tinha colocado no mercado anteriormente através da emissão de obrigações, indicação que reforçou a mensagem hawkish e que o mercado teme seja demasiado agressiva para a continuação do crescimento económico.

O resultado final foi uma inversão total dos ganhos amealhados durante boa parte do dia para perdas de magnitude similar, o Dow Jones por exemplo variou mais de 700 pontos agravando a sua posição de correcção já atingida esta semana, tal como o S&P500, onde mais de metade das empresa já leva um retracement superior a 20% desde os máximos de Setembro, ou seja estão em Bear market. Nenhum sector se safou do vermelho, ficando as utilities, activo refúgio por excelência com a menor perda do dia ao recuarem -0.22%. Nas commodities o WTI crude efectuou um rebound de 2,1% para os $47.20 por barril, depois da forte queda na terça-feira, enquanto que no Forex os investidores parece terem guardado para hoje a reacção aos desenvolvimentos do FED, talvez após um pouco mais de reflexão, visto que tanto o U.S dólar como as restante moedas principais pouco variaram.

Destaque para o elevado volume registado, acima das 10 biliões de transacções, o que deverá ser o máximo daqui até ao final do ano, sendo expectável que a partir de hoje exista um decréscimo gradual de investidores activos no mercado resultando assim num menor número de negócios.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é Mensal

O principal índice está agora bem mais perto do objectivo primário (linha laranja) para o short derivado do duplo topo (linhas vermelhas) que efectuou

Marco Silva

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