Date: 22 Jul 2019

A sessão de sexta-feira até abriu de acordo com as pretensões dos Bulls e no seguimento da tendência ascendente das últimas horas de quinta-feira, após o presidente do New York FED, John Williams, ter indiciado a possibilidade de um corte nos juros superior ao esperado na próxima reunião, o que levou a uma subida substancial para os 71%, da possibilidade de uma redução de -0.5%. Expectativas que no entanto foram algumas horas depois esmagadas, baixando para os 22.5%, com uma clarificação institucional do New York FED sobre as declarações do seu presidente, não terem sido uma indicação de qual será a próxima acção do principal banco central do mundo.

Esta visão menos agressiva de um corte de “apenas” -0.25% é igualmente apoiada por James Bullard, um dos membros mais dovish no board da FED. Mas apesar de alguma desilusão neste tema, os bons resultados da Microsoft, apoiados principalmente no crescimento de 39% do segmento da Cloud, o mais lucrativo e importante na expansão da empresa, possibilitou a Wall Street aguentar um sentimento mais positivo, pelo menos até cerca das 14h10m, hora de Nova Iorque, altura em que saiu a notícia de que o Irão tinha apreendido um petroleiro com bandeira inglesa, no Estreito de Ormuz, agravando assim as tensões entre o país do médio oriente e alguns países do ocidente, como os EUA e o Reino Unido, este último que uns dias antes apreendeu um petroleiro em Gibraltar por suspeita de que teria crude iraniano em direcção à Síria, violando as sanções impostas pelas Nações Unidas.

O escalar da incerteza nesta importante zona de comércio marítimo, empurrou os índice norte-americanos para uma trajectória descendente até ao final da sessão e com um registo final negativo, deixando-os com perdas semanais entre os -0.64% no Dow Jones e os -1.23% no S&P500. No mercado cambial o cenário menos dovish para o comportamento da FED deu espaço para que a moeda norte-americana amealhasse um ganho de 0.4% contra um cabaz de outras moedas principais, empurrando o Euro para um deslize de -0.5% nos $1.1219, enquanto que o Yen recuou -0.4% terminando nos 107.72.

Para esta semana os olhares estarão principalmente na earnings season com cerca de 25% das empresas do S&P500 a reportar resultados nos próximos cinco dias.

O gráfico de hoje é do Stoxx50, o time-frame é Mensal

O índice Pan-europeu das 50 maiores empresas está claramente mais fraco que os congéneres norte-americanos não tendo alcançado máximos nos últimos três anos.

Marco Silva