Análises de Mercado

FED desilude com conversa sem acção

“Muita parra e pouca uva”, é esse o sentimento de desilusão que os investidores estão a demonstrar hoje e após algumas horas de reflexão, ao resultado da reunião do FED que terminou ontem. Isto porque tal como referi em análises anteriores o mercado esperava uma indicação concreta de como vai ser o “novo normal” em que a política relativa à inflação está agora flexibilizada, com a nova retórica a ser deixar ultrapassar o nível dos 2% durante algum tempo. Nomeadamente qual o seu efeito prático no programa de estímulos, para além da manutenção dos juros baixos e da continuação das compras de activos, o problema é que não obstante a referência temporal de uma política muito acomodativa até 2023 pouco mais se soube sobre como prevê o banco central continuar a suportar a economia, será mais do mesmo?

Um dos pontos de registo foi a forma como Jerome Powell classificou como poderosa a mensagem deixada nas declarações da reunião, dando a entender para vários analistas de que por agora o FED irá ficar numa posição de “esperar para ver” como se irá comportar a economia nos próximos meses, sem incorporar novas medidas. Foi esta ausência de novidades a que se juntou a pouca confiança deixada pelos membros do banco sobre a inflação subir acima dos 2% num horizonte temporal razoável, que deixou um amargo na boca dos investidores, apesar de nos fundamentais o resultado ser bom para Wall Street, uma vez que “garante” uma extensão do período de graça para se continuar a investir no mercado accionista, ou seja muita liquidez e poucas ou nenhumas alternativas de investimento, devido aos juros baixos.

Os números dos pedidos de desemprego que saíram ligeiramente melhor que o esperado, tanto nas novas como nas “continuing claims”, podem ajudar a mudar o sentimento pessimista que está por agora a dominar com perdas nos futuros de Wall Street superiores a -1%, um pouco mais carregado que o panorama na Europa onde o Stoxx600 cede -0.79%. No mercado cambial o destaque vai para a Libra inglesa, que afunda -0.6% para os $1.2886, depois do Banco de Inglaterra ter indicado que estão a explorar a possibilidade de juros negativos, tendo em conta que os riscos para a retoma da economia se estão a multiplicar.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 4 horas

As próximas horas vão ser importantes para o principal índice accionista, dado que quebrou de novo em baixa o canal ascendente predominante.

Marco Silva

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