Date: 26 Fev 2018

Nas últimas semanas tenho vindo a referir a instabilidade com o que o mercado se debate em virtude da incerteza criada no sentimento dos investidores após a reunião de Janeiro do FED, em que ficou no ar a possibilidade de um movimento de subida dos juros mais acelerado. Foi devido a isso que Fevereiro tem sido fundamentalmente um mês de volatilidade e sem um sentido claro, variando consoante os juros da dívida soberana dos EUA se aproximam ou afastam dos 3%, e dos indicadores económicos que têm saído e que indiciem um aquecimento excessivo do crescimento da maior economia do mundo, que possa levar o banco central norte-americano a agir. A prova de como esse factor tem sido importante ficou clarividente na sexta-feira, aquando da saída do relatório bi-anual do FED para o Congresso. O documento reafirma a previsão anterior de três movimentos dos juros este ano e não abre a porta a um quarto, pelo menos não da forma como foi sugerido nas declarações da reunião de Janeiro.

Na realidade e contrariamente ao que foi referido nas minutas da reunião, o ritmo da subida da inflação é ainda uma incógnita, razão pela qual o banco central prefere manter a posição prevista o ano passado, não adoptando um movimento hawkish. Esta “clarificação” é de importância elevada pois retira para já o travão que tem estado na mente dos investidores nestas últimas semanas. E sem a porta aberta ao tightening mais acelerado Wall Street adicionou mais de 1,4% ao seu valor e não foi de estranhar que os sectores que melhor comportamento obtiveram tenham sido os mais sensíveis aos custos financeiros, nomeadamente as utilities, que lideraram nos ganhos com uma valorização de 2,66%. Mas a força compradora foi generalizada e todos os sectores do S&P500 terminaram com mais valor do que na quinta-feira.

No Forex a sessão foi mais calma com o U.S dólar a terminar praticamente inalterado contra um cabaz de outras moedas principais, cedendo -0.2% contra o Euro para os $1.2301. Para esta semana de realçar os non-farm payrolls que poderão reanimar os receios sobre a subida dos juros ou ao invés acabar com as dúvidas que possam existir, permitindo assim mais um ofensiva dos Bulls, provavelmente rumo a novos máximos, caso nenhum outro facto imprevisto e extraordinário o impeça.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é Diário

Tendo aguentado acima da linha de tendência a azul, o principal índice tem caminho livre para valorizar, podendo no entanto encontrar resistência na linha laranja

Marco Silva