Análises de Mercado

FED arrefece o sentimento em Wall Street, mas até quando?

Espaçado no tempo, mas de forma coerente e omnipresente, o banco central norte-americano tem sido uma das principais vozes de cautela no mercado, seja no que respeita à forma como a maior economia poderá recuperar mas também no que respeita às avaliações dos activos. E tem-lo feito ao nível institucional, nas comunicações oficiais, mas igualmente nas muitas intervenções em que os seus principais membros do board têm participado e onde existe quase sempre a coerência na palavra que passam, cautela, havendo depois algumas divergências quanto ao optimismo sobre a velocidade do regresso à normalidade ou às medidas a decidir para auxiliar a economia, mas numa altura de forte incerteza, o sentimento que o FED transmite é de união, algo importante para a confiança dos investidores.

Esta quarta-feira houve de novo um desses “chamamentos” à realidade, após as minutas da última reunião do banco central terem arrefecido o entusiasmo quanto à recuperação económica dos EUA, nomeadamente do mercado de trabalho, com o documento a indicar que as melhorias registadas em Maio e Junho deverão ter abrandado. Mas se a reacção inicial dos investidor foi de inverter os ganhos que se verificavam pelas 14h, terminando os índices norte-americanos no vermelho, o certo é que nem as perdas foram significativas nem a preocupação expressa pelos membros do board do FED foi uma novidade, pelo que não existem para já motivos para encarar este facto como um disruptor dos fundamentos que têm empurrado Wall Street para novos máximos históricos, quanto muito para mais uma consolidação.

Prova dessa importância relativa dada pelos investidores ao facto do mercado laboral não estar tão forte, foi a reação hoje assim que saíram os números semanais dos pedidos de desemprego, uma vez que subiram de novo acima do milhão de novas solicitações para os 1.106 milhões, pior que os 920,000 pedidos previstos e do que os 971,000 registado na semana anterior. Contudo tal cenário menos otimista não levou a uma reacção significativa, com os futuros dos índices a nem sequer registarem mínimos abaixo dos que já tinham sido atingidos no inicio da manhã, tendo o Nasdaq ficado muito perto do positivo. Veremos como irá terminar a sessão desta quinta-feira, no entanto não é de esperar grandes oscilações dado o que já referi e o facto do mercado estar à espera de um possível entendimento entre Democratas e Republicanos, para um novo pacote de auxílio à economia dos EUA, bem como por causa da notícia que dá conta da intenção da China e EUA em retomarem as negociações quanto a um “novo” acordo comercial.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é Semanal

O principal índice accionista está numa fase importante, a bater no anterior topo, uma quebra será fundamental, mas é preciso ter cuidado com os falsos breakouts.

Marco Silva

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