Date: 02 Mai 2019

Se a terça-feira era para ser dos Bears e foi roubada a estes pelo sector industrial, a sessão de quarta-feira era claramente dos Bulls, que diga-se dominaram durante boa parte do dia com diversos motivos para o optimismo, mas que teve nos resultados da Apple o seu principal catalisador, ou não fosse a fabricante dos iPhones a empresa que mais peso tem no global de todos os índices, logo uma valorização que chegou aos 7% numa empresa do clube do $1 trilião de capitalização é natural que tenha condicionado positivamente o mercado. O facto dos resultados da Apple terem sugerido uma estabilização no negócio dos iPhones, que vale 55% das receitas totais, nomeadamente na China, mas também pelo melhorar das perspectivas para o trimestre actual, reforçou o sentimento que tem sido criado nesta earnings season, de que não só os lucros vão ser acima do esperado, como o outlook confirma-se como sendo menos cinzento.

Contudo, havia um banho de água fria reservado para os Bulls, curiosamente fornecido por quem mais puxou pelo mercado este ano, o FED na pessoa do seu presidente Jerome Powell, que para além de anunciar a manutenção esperada dos juros alterou ligeiramente o discurso, ao dizer que nesta fase o banco central não está nem inclinado para subir, nem para descer os juros, o que contrariou as previsões e o sentimento de mercado que davam como muito provável um corte até Janeiro de 2020. Discurso menos dovish que foi reforçado quando Poweell afirmou que a ausência de pressões inflacionistas são um factor transitório e não persistente, ou seja reduzindo o espaço para que ocorra uma redução dos juros e mesmo para que estes se mantenham ao mesmo nível, porque uma das principais razões para a reviravolta no sentimento dos membros do board, de Setembro até Março, foi exactamente a falta de pressões inflacionistas que exijam uma contenção no crescimento económico.

A reacção de desilusão dos investidores foi notória, até porque Trump tinha dito no dia anterior que o FED deveria cortar os juros em 1% e recomeçar o quantitative easing, e se é certo que tal foi descartado também é inequívoco que o mercado estava demasiado acomodado à ideia de uma politica monetária tendencialmente ainda mais dovish. O resultado final foi vermelho em quase toda a linha, com o S&P500 a registar a maior queda com uma desvalorização de -0.75%, enquanto que as tecnológicas se ficaram com o melhor registou ao recuarem -0.57%. Apenas o sector do imobiliário escapou ao vermelho e por um valor marginal, ao passo que as energéticas e o sector dos materiais dominaram na pressão vendedora com quedas perto dos -2%.

No mercado cambial destaque para o U.S dólar que após um movimento de fraqueza inicial com as declarações de Powell, inverteu vigorosamente dando lugar a um dia de ganho para a moeda norte-americana empurrando o Euro para os $1.1193, após uma queda de -0,2%. A sessão de hoje confirmará ou não o pessimismo de ontem, embora seja previsível alguma cautela dado que amanhã é dia de nonfarm payrolls e os investidores não querem ser apanhados nem com risco a mais, ou risco a menos, relativamente ao que tinham ontem.

O gráfico de hoje é do WTI crude, o time-frame é Diário

O objectivo para o padrão de Head&Shoulders invertido que tem a linha laranja como linha dos ombros, encontra-se na linha verde

Marco Silva