Análises de Mercado

Falta de acordo afunda Wall Street

Inevitavelmente o ruído do mercado acaba por ir para o tema fundamental das últimas semanas, o próximo pacote de estímulos a aprovar pelo Congresso dos EUA, que teima em não ver a luz do dia, não obstante os sinais de arrefecimento da retoma económica e os avisos de vários intervenientes de mercado, nomeadamente de Jerome Powell, o presidente do FED que esta terça reiterou a necessidade de um estímulo fiscal para conjugar com os estímulos monetários já implementados pelo banco central. O problema é que os dois lados da barricada estão ainda longe de um consenso, com $600 biliões a separar as propostas de Democratas e Republicanos, e apesar das várias declarações de Nancy Pelosi e Steven Mnuchin sobre estarem esperançados numa resolução rápida da situação, o certo é que o timing não podia ser pior dado que com as eleições à porta acertar um entendimento agora é estar a ceder quando em breve se poderá ter mais poder de negociação, por exemplo se Biden ganhar os Democratas ficam com muito mais margem para forçar o seu montante, que por ser superior é o preferido pelos investidores, dentro da dependência que o mercado tem por estímulos.

Bom, este era o comentário que eu estava a elaborar no momento em que saiu a notícia do Tweet de Trump que deu conta das suas instruções para os seus representantes no sentido de cancelarem as negociações com os Democratas, relativas ao novo pacote de estímulos, até depois das eleições de Novembro, uma vez que segundo o presidente norte-americano “quando ele ganhar irão fazer um acordo melhor”. Sem grande surpresa a reação do mercado não se fez esperar e foi de muito desagrado, uma vez que as expectativas incorporavam essa possibilidade e de um momento para o outro qualquer esperança que ainda existia de um apoio nesta fase crucial caiu por terra, com os investidores a reajustarem o sentimento para um tom bem mais pessimista e onde a palavra de ordem foi fuga para segurança, o que permitiu às utilities o único registo positivo do dia, enquanto que as tecnológicas e retalhistas de produtos não essenciais foram fustigadas com uma pressão vendedora que deixou os sectores com perdas na ordem dos -2%.

Tal como eu próprio, a grande maioria dos analistas e comentadores políticos foram apanhados de surpresa por esta reviravolta, uma vez que esta decisão de Trump é vista como um tiro no pé do candidato a ser reeleito, e mais incompreensível que diversas atitudes que já teve durante o seu mandato. Recordo que ainda na segunda-feira o presidente pedia que Democratas e Republicanos chegassem a um acordo porque a Economia precisava, um dia depois manda tudo pelos ares, o que será certamente aproveitado pelos adversários para o retratar como insensível aos problemas que milhões de norte-americanos enfrentam, agora que o Cares Act terminou. Trump perde mesmo margem dentro do seu partido, visto que o pacote de estímulos tinha o apoio de quase todos os intervenientes, a questão estava no valor, mas a urgência era partilhada pelos dois lados da barricada, assim como pelo importante FED.

No mercado cambial o U.S dólar voltou a funcionar como activo refúgio, não obstante as implicações que este adiamento dos estímulos irão provocar na economia, e a moeda norte-americana acabou por valorizar 0,4%, perdendo ainda assim 0,1% para o Yen, o porto mais seguro nas moedas. Para esta quarta-feira o dia prevê-se de elevada volatilidade, dada a enorme incerteza que ficou a pairar sobre as próximas semanas, quer a nível económico, como a nível político.

O gráfico de hoje é do Nasdaq, o time-frame é Diário

O índice tecnológico está com a possibilidade de efectuar um padrão de Head & Shoulder invertido, onde as linhas azuis são os ombros.

Marco Silva

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