Date: 24 Abr 2019

Foram precisos seis meses e vinte e um dias ou duzentos e três dias, para que Wall Street recuperasse do “fatídico” dia três de Outubro de 2018, quando o Presidente da Reserva Federal Jerome Powell traçou um cenário ultra hawkish para o movimento dos juros nos EUA, o que levou a uma forte correcção dos principais índices norte-americanos que entraram em território de bear market por uma unha negra ou se livraram dele pela mesma margem. Na altura a previsão era para uma redução automática do balanço do banco central e os juros estavam nos 2% a 2,25%, muito longe da zona neutral referiu Powell, com mais uma subida prevista para Dezembro, que veio a ocorrer e com mais seis subidas distribuídas igualmente entre 2019 e 2020, que deveriam levar o custo do dinheiro para perto dos 3,4%. No entanto receios com algumas evidências de abrandamento da economia mundial e a sombra das tarifas alfandegárias impostas por Trump à importação de produtos vinda da China assustaram os investidores.

Susto esse que só deu espaço a seis dias positivos no mês de Outubro e a apenas três em Dezembro até à véspera de Natal, quando os Bulls tiveram direito a uma prenda no sapatinho, materializada logo no dia seguinte ao Natal nos índices com uma recuperação robusta, e depois nas perspectivas com a mudança de discurso por parte do Presidente da FED, que entre outras indicações mais dovish referiu a questão da redução do balanço como algo a rever, deixando antever a sua flexibilização, e a diminuição das subidas previstas de juros para este ano, o que deu o fôlego necessário para que, em conjunto com o evitar do pior na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, ontem S&P500 e Nasdaq tenham atingido novos máximos de fecho.

Depois de algumas semanas com os índices a rondarem território desconhecido mas com poucas razões para o impulso decisivo, terça-feira e já com boa parte dos investidores de volta ao mercado, as notícias foram francamente boas, dando o mote para ganhos que variaram entre os 1.32% no Nasdaq e 0.55% no Dow Jones, sendo que o Russell 200 conseguiu mesmo uma valorização superior de 1,61%. Um pleno de bons resultados de empresas importantes como Twitter, Hasbro, Coca-Cola, Lockheed Martin, United Technologies e Procter & Gamble, aliado ao dia de rebound nas farmacêuticas deixou o S&P500 com um sector no vermelho, mas apenas por causa da redução de activos refúgio nos portfolios dada a apetência evidenciada pelo risco, o que levou as retalhistas de produtos não essenciais para um deslize de -0.12%.

O optimismo gerado com os resultados empresariais estendeu-se para o mercado cambial com os investidores a sentirem mais confiança com as perspectivas para a economia norte-americana, o que suportou o ganho de 0,4% alcançado pelo U.S dólar contra um cabaz de outras moedas principais e empurrou o Euro para um recuo de -0.3%, terminando nos $1.1222.

Os títulos da gigante do mercado alimentar tiveram ontem um bom dia após a empresa ter divulgado resultados acima do previsto, contudo o optimismo foi refreado a metade até ao final da sessão e existe igualmente uma zona de resistência extra na linha azul.

Marco Silva