Análises de Mercado

Euro afunda com BCE cauteloso

Já era esperado que Mario Draghi utilizasse referências mais dovish nas suas declarações de ontem, ou seja de alguma flexibilização da normalização da politica monetária, contudo o presidente do BCE foi bem mais longe do que o mercado antecipava e arrastou com isso o Euro para a maior desvalorização em cerca de 16 meses. Já era previsto uma redução do montante mensal no actual programa de compras, assim como a sua extensão, foi o que aconteceu com um corte de 50% para os €30 mil milhões e um prolongamento das aquisições até Setembro de 2018, o que os investidores não estavam à espera era de uma predisposição para uma continuação do mesmo para além desse período, bem como não existir sequer uma intenção de acabar pura e simplesmente com as compras, nem mesmo com a aproximação dos limites que existem sobre os produtos que podem ser alvo dos estímulos, nomeadamente dívida pública soberana. Draghi referiu ainda que pode aumentar tanto os montantes como os prazos e que os valores que se vão vencendo é para serem reinvestidos, o que só por si significa compras na ordem dos €15 mil milhões/mês.

Adicionalmente, o BCE irá continuar a providenciar ampla liquidez a custos muito reduzidos à banca europeia, pelo menos até 2019, “concluindo” que os juros baixos se irão manter por um tempo prolongado, o que atira para daqui a cerca de dois anos, a possibilidade do primeiro aumento dos juros. Por tudo isto não foi de estranhar que a moeda única tivesse recuado -1,4% para os $1.1648, até porque ficou ontem claro que os ritmos de normalização da politica monetária entre os dois principais bancos centrais, estão bastante distantes, pode mesmo afirmar-se que o BCE ainda está na fase de expansão monetária, enquanto que o FED está a amadurecer o seu caminho de tightening. Factores que poderão condicionar o par EUR/USD nos próximos meses, para já a consequência imediata foi a quebra em baixa da linha dos ombros do Head&Shoulders que referi anteriormente, o que abre espaço a uma correcção mais acentuada, estando a mesma, no entanto condicionada à escolha do próximo presidente do FED, seja ele dovish ou hawkish, o que parece ser assente é que Yellen não fará o segundo mandato, algo pouco normal na história contemporânea do FED.

 

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Diário

Quebra a linha dos ombros a azul, a próxima zona de suporte encontra-se na linha verde, sendo que a linha agora quebrada poderá vir a ser testada no curto prazo.

Marco Silva