Date: 10 Jul 2017

Com o sentimento abalado devido às recentes variações em Wall Street, em grande parte derivadas da rotação de capital e de indicadores económicos menos favoráveis, a qualidade dos dados dos non-farm payrolls era vista como um momento importante quanto a definir a postura com que os investidores irão encarar o inicio da earnings season, mas também o futuro de curto prazo do movimento das taxas de juro. A “desilusão” nos números do emprego ADP, conhecidos a meio da semana, criou ainda mais pressão, especialmente porque nas últimas semanas a mensagem que tem sido passada por diversos dos principais bancos centrais do mundo é de que a época do “dinheiro barato e fácil” está a acabar, facto que suscitou no mercado o receio sobre a capacidade da economia suportar essa mudança.

Os 222,000 non-farm payrolls relativos a Junho, contra os 179,000 esperados vieram para já conter esses receios e possibilitaram a Wall Street um dia de subidas robustas, com o Nasdaq a liderar os ganhos com um avanço de 1,04%. Optimismo que poderá estender-se e dar lugar a mais uma onda do Bull market caso as empresas do S&P500, que se espera divulguem um aumento dos seus lucros do trimestre passado em 6,2%, consigam bater esse número e não comprometer no outlook. Nas commodities o Crude continuou a corrigir do movimento que o levou aos $47 e na sexta-feira recuou 2,8% para os $44.23 por barril, estando agora entre os máximos de há alguns dias e os mínimos de há duas semanas, enquanto na componente técnica aumentou a possibilidade para a formação de um duplo fundo. Já no Forex e apesar dos bons dados económicos o U.S dólar apenas conseguiu uma magra valorização contra um cabaz de outras moedas principais, contudo versus algumas das suas principais congéneres, Yen, Libra inglesa e Euro, esse avanço foi mais substancial, 0,6% nos dois primeiros casos e 0,2% contra a moeda única.

 

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Diário

EURUSDDaily10717

Como é visível no gráfico o principal par de moedas encontra-se numa fase de elevada importância, nomeadamente porque é uma zona de sucessivos máximos alcançados nos últimos dois anos, que transformam o local num de forte resistência a subidas, contudo e igualmente, está próximo de sucessivos mínimos, o que providencia uma zona de suporte acrescido. A queda em alta dos $1,18 ditará a quebra deste ciclo, ou em caso contrário um retest aos mínimos anteriores.

Marco Silva