Análises de Mercado

Emprego reforça necessidade de mais estímulos mas Wall Street está optimista

Depois de uma semana que entregou a Wall Street novos máximos históricos, mais uma semana com novos recordes, parece monótono ou um disco riscado, mas na realidade é quase como que o retomar de uma música que dominou nos índices norte-americanos desde finais de Outubro de 2019, até à segunda semana de Fevereiro deste ano, onde nas dezasseis semanas de intervalo o S&P500 conquistou território inexplorado em doze delas, sendo o ímpeto ascendente apenas interrompido por causa da crise de COVID. Mas passados cerca de nove meses desde o inicio do crash mais rápido da história dos mercados o panorama é francamente inacreditável porque desafia tudo o que no início da pandemia se podia esperar no melhor dos casos, tendo em conta que o principal índice accionista já desde finais de Agosto que quebrou os anteriores máximos históricos alcançados em Fevereiro.

E se o registo de Wall Street no corrente ano já era bom independentemente das condicionantes, mais fantástico se torna quando temos as principais economias a registarem contracções económicas muito acentuadas, com quebras recorde no segundo trimestre nos EUA com um recuo de 31,4%, ao que se seguiu o maior aumento de sempre no terceiro trimestre com uma subida de 33,1%, deixando ainda assim a maior economia do mundo com um déficit de -3,5% em relação ao fecho de 2019. Contudo é preciso enquadrar esta recuperação, é que adveio da injeção superior a $3 triliões de estímulos fiscais, para além da enorme injeção de liquidez por parte do FED que tem suportado os juros baixos e o acesso ao crédito de uma forma nunca antes disponível, tendo havido inclusive créditos a fundo perdido, para as empresas, em caso das verbas terem sido utilizadas para pagar ordenados, o que foi uma forma de suportar o mercado de trabalho e o poder de compra, este último o que sustenta o consumo privado, o principal motor da economia.

E se após um Novembro já de si fenomenal, em particular para o Dow Jones, esta semana termina com o melhor dos mundos, com todos os principais índices a registarem novos máximos, no dia em que se soube que a criação de emprego em Novembro, segundo os dados dos non-farm payrolls, foi abaixo do esperado, com o menor ritmo de novos postos trabalho dos últimos sete meses, o que espelha a ausência de um novo pacote de estímulos à economia dos EUA, há muito aguardado e que teima em não ver a luz do dia, no entanto isso não demoveu os investidores, que continuam a acreditar que acabará por chegar ainda este ano.

A funcionar como pressão compradora adicional no mercado accionista, o facto do U.S dólar estar numa altura de fraqueza evidente, caindo para mínimos de mais de dois anos, o que esta sexta-feira não ajudou o Euro ou a Libra inglesa a ganharem terreno, estando ainda menos apetecíveis acabando por ceder -0.1% cada uma contra a moeda norte-americana, enquanto que o Yen recuou -0.3% com o reduzido interesse em activos refúgio, ou seja, uma semana onde a tomada de risco esteve de novo em alta, na entrada para aquele que costuma ser um dos melhores meses do ano.

O gráfico de hoje é do EURUSD, o time-frame é de 4 horas

Depois de ter quebrado em baixa o canal ascendente, o principal par de moedas fez o inverso e quebrou em alta a linha superior do mesmo, o que costuma ser um indício de alguma fraqueza no curto-prazo.

Marco Silva

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