Análises de Mercado

Emprego e Trump afundam sentimento em Wall Street

Se sexta-feira já prometia ser uma sessão movimentada derivado dos últimos non-farm payrolls antes das eleições presidenciais de 3 de Novembro nos EUA, o dia ficou ainda mais ao rubro com a notícia de que Trump testou positivo para o COVID-19, havendo igualmente uma indicação dada pelo New York Times de que o presidente norte-americano tinha sintomas ligeiros, ou seja não está assintomático, o que seria o estado menos causador de incerteza no mercado. Assim que o tweet de Trump a anunciar o seu estado de saúde foi conhecido a reacção dos investidores não se fez esperar e os futuros relativos aos índices norte-americanos afundaram cerca de 2% no espaço de 45 minutos na madrugada das praças europeias, ocorrendo depois uma ligeira recuperação, mas que foi anulada assim que foram anunciados os números relativos ao emprego nos EUA.

Tal como tinha referido anteriormente, os números de hoje dos non-farm payrolls eram de importância elevada, porque iriam validar ou não a teoria de que a recuperação do mercado de trabalho está a diminuir, em linha com o referido pelo presidente do FED nas últimas semanas. E sem grande surpresa o abrandamento é um facto, os 661,000 novos postos de trabalho criados foram uma forte redução dos 1,489 milhões adicionados no mês anterior e bem pior que os 850,000 que os analistas esperavam, e não obstante o facto da taxa de desemprego ter caído para os 7,9%, esse dado está a ser relativizado uma vez que muitos desempregados estão a ser reclassificados como empregados mas ausentes do posto de trabalho.

Na recta final da campanha para as presidenciais estes números vão certamente fazer parte do combate político, que se trava também no Congresso sem solução à vista, depois da Casa de Representantes, dominada pelos Democratas, ter aprovado um pacote de auxilio de $2,2 triliões, mas que foi prontamente rejeitado pelos Republicanos, ou seja não passa no Senado e consequentemente esfuma-se a possibilidade de um importantíssimo balão de oxigénio numa altura chave para a recuperação da economia. Acordo esse que uma boa parte dos analistas já não prevê que venha a ser uma realidade antes das eleições e mesmo depois disso a visibilidade é reduzida, dadas as quezílias que se apresentam pela frente, como a nomeação da juíza indicada por Trump para o Supremo ou a contestação do vencido no acto eleitoral.

Com os índices norte-americanos a abrirem a perder cerca de -1,5% é de esperar um dia de volatilidade elevada e não é garantido que termine no vermelho, sendo curioso de constatar que o U.S dólar aparece mais uma vez como um activo refúgio em alturas de crise, apesar das notícias pouco positivas relativas à economia. O “greenback” é suplantado no entanto pelo Yen, activo premium de refúgio que consegue valorizar 0.2% para os 105.27, indicando portanto uma procura por segurança.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 15 minutos

A quebra da linha de tendência marcou o afundar do valor do índice, com essa mesma linha a ser provavelmente uma zona de resistência se o mercado recuperar até esses níveis.

Marco Silva

A informação fornecida não constitui pesquisa de investimento. O material não foi preparado de acordo com os requisitos legais destinados a promover a independência da pesquisa de investimento e, como tal, deve ser considerado uma comunicação de marketing.
Todas as informações foram preparadas pela ActivTrades (“AT”). As informações não contêm um registro dos preços da AT, nem uma oferta ou solicitação de uma transação em qualquer instrumento financeiro. Nenhuma representação ou garantia é dada quanto à exatidão ou integridade desta informação.
Qualquer material fornecido não tem em conta o objetivo de investimento específico e a situação financeira de qualquer pessoa que possa recebê-lo. O desempenho passado não é um indicador confiável de desempenho futuro. AT fornece um serviço somente de execução.
Consequentemente, qualquer pessoa que atue na informação fornecida o faz por sua conta e risco.