Date: 09 Jul 2018

Com o sentimento dos investidores condicionado nas últimas semanas pelo risco de uma guerra comercial em larga escala entre os EUA e outras economias principais, os non-farm payrolls de sexta-feria eram vistos como uma possibilidade de ar fresco caso os números fossem bons. E na realidade os dados não poderiam ser muito melhores, isto porque corroborou a noção de um mercado de trabalho forte mas sem grandes pressões inflacionistas, foi neutral para a leitura que o FED irá fazer para decidir sobre o ritmo do tightening. Mais empregos do que o esperado, 213,000 versus os 195,000 antecipados, taxa de desemprego ligeiramente superior nos 4% contra os 3,8% do mês anterior e uma subida dos rendimentos por hora de 0,2%, inferior aos 0,3% do mês de Junho, o que perfaz um aumento anual de 2,7% abaixo dos 2,8% previstos.

Mas não foi só de emprego que viveram os ganhos em Wall Street no final de uma semana a meio gás por causa do feriado do 4 de Julho, o sector da saúde foi o que mais valorizou no S&P500 com a forte subida de 19.6% da Biogen depois da empresa ter anunciado que um medicamento seu contra a Alzheimer teve bons resultados num ensaio clínico de fase intermédia. Logo a seguir surgiram as tecnológicas com um ganho de 1,24% no S&P500 e um avanço de 1.34% no Nasdaq, bem melhor que os 0,41% do ganho do Dow Jones. Contudo e apesar do optimismo que reinou é importante ter em consideração o fraco volume transaccionado, no total das praças norte-americanas foram cerca de menos 24% de negócios relativamente à média dos últimos 20 dias, com o índice industrial a ter ainda menos movimento ao registar uma redução de 32% de transacções, algo não habitual em dia de non-farm payrolls, o que reforça a ideia de que o mercado entrou em período de férias.

No Forex o U.S dólar ressentiu-se da falta de robustez dos dados económicos, apesar de terem sido “bons” para o mercado accionista, e cedeu -0.4% contra um cabaz de outras moedas principais, permitindo ao Euro um ganho de 0.5% para os $1.1744, enquanto que o Yen se ficou por um ganho de 0.2% para os 110.44 com alguma pressão vendedora derivada da redução nas carteiras de activos refúgio.

O gráfico de hoje é do índice do EUR/USD, o time-frame é Diário

O principal par de moedas fechou na sexta-feira abaixo da linha de resistência (Azul), pelo que será importante aferir se hoje essa barreira é quebrada ou se os mínimos recentes vão ser testados nos próximos dias.

Marco Silva