Date: 31 Ago 2017

O sentimento ontem em Wall Street foi condicionado por duas “tempestades” que no final do dia possibilitaram uma sessão positiva para os principais indices norte-americanos, assim como para o U.S dólar, que continua o rebound que referi anteriormente como provável, especialmente contra o Euro, par onde a moeda única recuou 0,7% para os $1.1886. Um dos eventos foi o furacão Harvey, que fez nova incursão na costa do golfo, no sul dos EUA, uma zona recheada de produção energética, o que para além de inúmeros outros danos causou a paralisação de mais de um quinto da capacidade de refinação do país, incluindo a maior refinaria em território norte-americano, o suficiente para empurrar o preço da gasolina para os $1.8964 por galão, após uma subida de 6,3%. Sorte inversa teve o crude, que continuou a sofrer da menor procura e recuou 1% para os $45.96 por barril de WTI, um movimento que poderá continuar enquanto não for restabelecido o funcionamento regular da produção de refinação nas zonas afectadas pelo furacão.

A outra “tempestade” foi uma quase perfeita conjugação de bons dados económicos relevantes, a começar pela revisão em alta do crescimento do PIB norte-americano do segundo trimestre, dos 2,7% para os 3%, suportado pelo consumo privado e investimento das empresas, o que retirou de cena o espectro do regresso ao crescimento menos robusto do primeiro trimestre, até porque para o corrente trimestre as perspectivas são ainda mais risonhas, com 3,4% de crescimento esperados. Na componente laboral, os números do emprego privado, os ADP, também foram bullish para o mercado, ao adicionarem 237,000 novos empregos contra os 185,000 antecipados, um dado que a ser replicado nos mais importantes non-farm payrolls de amanhã, daria certamente um forte impulso para as possibilidades de mais uma subida dos juros este ano pelo FED, nomeadamente em Dezembro, numa altura em que após os dados de ontem, as hipóteses de tal acontecer subiram 7% para os 41%.
O gráfico de hoje é da Gasolina, o time-frame é Semanal

Apesar da recente subida, o preço da Gasolina ainda se encontra bastante abaixo dos máximos de há 3 anos, estando agora “tabelada” pelo canal ascendente a vermelho, que poderá indicar o local para uma resistência (linha superior), caso a subida dos preços continue.

Marco Silva