Date: 30 Abr 2019

Se por um lado foi positivo que Wall Street tenha alcançado novos máximos históricos de fecho no S&P500 e no Nasdaq, não deixa de inspirar cautela o facto de os ganhos terem sido marginais, com uma queda significativa no final da sessão, em comparação com o cenário bullish apresentado pelos dados económicos e empresariais, ao que acresce o volume ter sido muito reduzido e perto do mínimo deste ano, com pouco mais de 5,8 biliões de negócios efectuados contra a média de 7 biliões diários em época normal. Ouro sobre azul, foi de novo o sentimento dominante nos investidores ao serem confrontados com números dos gastos dos consumidores e de inflação relativos ao mês passado, que confirmam uma recuperação do ímpeto económico mas sem agravamento dos riscos de inflação, pelo contrário, com o índice dos gastos privados, excluindo a energia e a comida dada a volatilidade destes, e que é o indicador favorito do FED para aferir sobre pressões inflacionistas, a ficar nos 1,6%, abaixo dos 1,7% esperados, dando espaço ao secretário do Tesouro norte-americano para dizer que estavam criadas as condições para um corte nos juros.

Contudo, descida de juros foi o que não houve na sessão de ontem, mas sim o inverso, com as yields das obrigações soberanas dos EUA a 10 anos a subirem para os 2,53%, depois de uma venda de um bloco considerável de dívida a 5 anos, o que pressionou os juros em alta e ao mesmo tempo puxou pelo sector financeiro, dando-lhe o impulso necessário para a maior valorização do dia no S&P500 com uma subida de 0,93%, enquanto que as imobiliárias e utilities, mais sensíveis ao aumento do custo do dinheiro, reagiram em sentido contrário e averbaram as quedas mais acentuadas com -1,06% e 0,64% respectivamente. De resto o cenário foi muito neutral com os índices positivos mas a maioria dos sectores a perderem valor, valendo o peso das tecnológicas e das small caps que estiveram um pouco melhor que as restantes.

Apesar da subida dos juros da dívida dos EUA por motivos técnicos, mais do que fundamentais, a moeda norte-americana seguiu pela bitola dos dados económicos e da perspectiva de não haver mexidas pelo FED nos próximos meses, permitindo assim ao Euro e à Libra inglesa ganhos de 0,3% e 0,2% respectivamente, face ao greenback. Depois do fecho do mercado a Google divulgou resultados que ficaram aquém das previsões, causando um forte recuo de quase -8% no after-hours nos títulos da gigante tecnológica, o que deverá condicionar pelo menos o Nasdaq na sessão de hoje.

O gráfico de hoje é da Google, o time-frame é Diário

A existir uma correcção mais acentuada no valor das acções desta empresa, é provável que ocorra um suporte na linha inferior do canal a azul, ou seja perto dos $1,000

Marco Silva