Date: 29 Abr 2019

À entrada da semana passada a fasquia do risco estava alta, desde logo porque os índices norte-americanos também estavam altos, com o S&P500 e o Nasdaq a terem acabado de registar novos máximos históricos, mas também pelo dilúvio de resultados que iriam ser anunciados, correspondente a quase 25% das empresas do S&P500, se fossem de qualidade duvidosa poderia dar desde logo o mote para o resto da época, e por fim porque na sexta-feira seriam conhecidos os dados económicos mais aguardados do último mês, refiro-me ao PIB do primeiro trimestre nos EUA, que os analistas receavam fosse demonstrar a continuação do arrefecimento evidenciado no final do ano passado, até por causa do shutdown verificado durante o mês de Janeiro, bem como dos efeitos da guerra comercial em vigor e à incerteza quando à sua possível resolução, que teima em não ocorrer.

Mas se os riscos eram muitos os dados foram de qualidade suficiente para que os Bulls tivessem força para impulsionar de novo o abrangente S&P500 e o tecnológico Nasdaq para mais uma subida semanal, estendendo assim a sua incursão por território desconhecido. Ao nível empresarial e com quase metade das empresas do principal índice a terem reportado resultados o cenário é agora francamente mais positivo, levando mesmo à incerteza sobre se o primeiro trimestre marcará ou não a primeira vez desde meados de 2016 que os lucros recuaram face ao ano anterior, isto porque se no inicio as previsões apontavam para uma contracção de -4,2%, agora esse valor foi reduzido quase para metade, estando agora nos -2,3%, o que a manter-se o ritmo de melhoria poderá resultar num registo final praticamente inalterado.

Já no departamento da macro-economia o crescimento do PIB norte-americano para os 3,2%, batendo claramente as expectativas de 2,5%, foram uma lufada muito significativa de ar fresco que permitiu aos Bulls sonharem com a continuação da expansão económica que está muito perto de bater o recorde de longevidade. Contudo não foram só rosas, pois se a subida foi devido às componentes de exportações e de criação de inventários, que valeram 1,7% do valor total, também é certo que os gastos dos consumidores ficaram aquém do esperado, ou seja um alerta a não perder de vista tendo em conta a enorme importância que o consumo privado tem no crescimento económico. Por outro lado a mistura dos dois dados deixou no ar um sentimento de ouro sobre azul, a economia nem está demasiado “quente” nem demasiado “fria”, refutando assim os maiores receios dos investidores.

Nos sectores do S&P500 destaque para as energéticas que registaram a maior queda de sexta-feira, muito por causa do recuo de -3,5% nos preços do crude que empurraram o WTI para os $62.90 por barril, depois de Trump ter pressionado a OPEP a aumentar a produção com vista a aliviar os preços. Esta semana para além de ser a mais movimentada em termos de resultados empresariais será igualmente marcada pela reunião do FED, pelo que se esperam uns dias com maior volume e volatilidade que os da semana passada.

O gráfico de hoje é do WTI crude, o time-frame é Diário

Como tinha referido possível em análise anterior, a zona entre as linhas azuis revelou-se como sendo de resistência às subidas, estando agora a linha a laranja como local para um suporte mais robusto

Marco Silva