Análises de Mercado

Economia abre espaço aos Touros, mas Ursos não desarmam

Depois de um dos dias mais vermelhos dos últimos meses, Wall Street aliviou esta quinta-feira da pressão vendedora que tem estado omnipresente nas últimas semanas, com os bons dados económicos relativos aos PIB do terceiro trimestre nos EUA a darem espaço aos Touros para puxarem pelo mercado, contudo mais do que uma valorização sustentada o comportamento dos índices norte-americanos foi acima de tudo de um “rebound” que poderá não ter muito mais espaço para correr, mas já lá vamos. Com um crescimento anualizado de 33,1% a maior economia do mundo registou o seu maior aumento trimestral, depois de ter averbado o pior nos três meses anteriores, e se o valor é superior aos 31% antecipados pelos analistas, não foi suficiente para impedir que o PIB ficasse 3,5%abaixo dos níveis pré-COVID, mesmo depois de mais de $3 triliões em apoios aprovados pelo Congresso, com destaque para o Cares Act.

E para se ter uma noção da importância que teve o balão de oxigênio do Estado norte-americano, basta indicar que o consumo privado, que disparou 40% no trimestre que findou, foi responsável por 76% do crescimento do PIB, contudo a injecção de liquidez que entrou nos bolsos dos cidadãos ainda no segundo trimestre e que fez aumentar os rendimentos em $1,45 triliões, rapidamente se esfumou, com uma queda abrupta de $540 biliões na trimestre recente, o que faz antever um consumo bem mais comedido na última parte do ano, caso como se espera, não seja aprovado nenhum pacote de auxílio nas próximas semanas. Foi esta a notícia positiva do passado em conjunto com a antecipação dos resultados de algumas empresas tecnológicas importantes, como a Apple, Amazon e Google que saíram após o mercado fechar, que ajudaram Wall Street a respirar de alívio, se bem que não por muito tempo, isto porque dentro do lema de “comprar no rumor e vender na notícia”, os investidores reagiram negativamente após as empresas terem reportado os resultados, empurrando os futuros para o vermelho, o que poderá condicionar o sentimento nn última sessão desta semana.

No mercado cambial o U.S dólar voltou a brilhar mais que os restantes e amealhou 0,3%, o que não só impediu maiores ganhos no sector accionista, mas levou igualmente a uma queda das outras moedas principais, como Euro e Libra, que cederam -0,6% e -0,4% respectivamente, enquanto que o Yen perdeu -0.3%, também a sofrer a pressão da aversão a ativos refúgio dado o optimismo que reinou.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 4 horas

Depois de na quinta-feira este índice ter tentado reganhar o canal descendente, os próximos dias serão importantes para aferir a tendência de médio prazo, pois caso não consiga ultrapassar a linha inferior do canal, o sentimento fica claramente bearish, indiciando uma correcção mais acentuada.

Marco Silva

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