Date: 04 Ago 2017

Mais uma sessão e mais uma valorização para o Dow Jones, muito ligeira é certo, mas para além de ser um novo máximo histórico foi igualmente o sétimo dia consecutivo em que o índice industrial conseguiu fugir ao vermelho, ao contrário dos seus parceiros de Wall Street que têm sido bastante mais fustigados com a pressão vendedora. Ontem, tal como tem acontecido recentemente, o Nasdaq foi o que mais cedeu terreno, devido principalmente às desvalorizações dos pesos pesados Apple e Amazon, que afectaram igualmente o sentimento no S&P500, isto depois de ambas terem atingido valores recorde durante esta earnings season, o que pode ser visto como um movimento de consolidação com alguma redução de exposição ao risco, por parte dos investidores, que tiveram nas tecnológicas o seu melhor activo em 2017. A ideia de consolidação é reforçada pelo facto do VIX estar perto de mínimos históricos, ou seja o mercado não antevê para já uma correcção no curto prazo.

Mas a sessão de quinta-feira ficou igualmente marcada pelo regresso do fantasma dos problemas legais de Trump, após o investigador chefe da questão da intromissão da Rússia na eleição presidencial do ano passado ter criado um Grand Jury, facto que poderá causar ruído adicional ao presidente norte-americano, o que lhe retirará espaço politico para implementar as suas ideias económicas, algo que o mercado já quase não dá crédito depois dos diversos falhanços legislativos, nomeadamente na questão da lei da Saúde. Essa descrença aliada a um arrefecimento dos dados económicos empurrou o U.S dólar para um recuo de quase 9% este ano, movimento que poderá ser agravado hoje se os non-farm payrolls desiludirem, contudo e como referi anteriormente o activo está perto de um local de potencial resistência técnica no EUR/USD, o que poderá condicionar um movimento ascendente acentuado do Euro face à moeda norte-americana.

Para além do número dos postos de trabalho criados, os investidores vão prestar talvez mais atenção à questão do aumento dos rendimentos, isto porque esse é um dos principais pontos que têm refreado o FED a imprimir mais velocidade no aumento dos juros, devido à estagnação no crescimento dos salários que tem limitado os ganhos na inflação.
O gráfico de hoje é do GBP/USD, o time-frame é de 15 minutos

Mais um exemplo de como as quebras das linhas de tendência/canais funcionam na maioria das vezes como futuros locais de suporte/resistência, como ontem neste activo, em que a linha inferior do canal serviu de resistência (A) à subida

Marco Silva