Date: 25 Abr 2019

Depois de uma sessão de terça-feira em que o optimismo dominou com ganhos transversais de algum significado nos principais índices norte-americanos, os investidores estiveram ontem bem mais contidos na pressão compradora exercida, não apenas porque os resultados divulgados foram um pouco abaixo da qualidade do dia anterior, como os dados económicos saídos na zona euro inspiraram algum pessimismo, mas também porque uma vez chegados a território de recordes e após quase dez anos de Bull market a cautela tende a ser um pouco mais requisitada.

Ao nível dos sectores foi notória a procura por activos refúgio que permitiu às imobiliárias, utilities e retalhistas de produtos essenciais as únicas valorizações do dia com 0,77%, 0,55% e 0.09% de ganhos respectivamente. Logo a seguir foram as tecnológicas que menos estragos sofreram com as vendas ao registarem uma perda residual de -0.01%, muito por culpa do bom comportamento da Ebay, que subiu 5,05% e do sector dos semicondutores, que amealhou quase 1%. Do lado inverso estiveram as energéticas ao averbarem a maior desvalorização do dia com um deslize de -1,8%, no mesmo sentido do movimento verificado no preço do crude, que recuou -0.9% para os $65.73 por barril no WTI, num dia em que as matérias-primas navegaram pelo vermelho com o Bloomberg Commodity Index a ceder -0.3%, empurrando assim o sector dos materiais para uma perda de -0,57%.

O desempenho negativo, devido aos resultados apresentados, nos títulos da AT&T e Caterpillar também fomentaram o pessimismo, contudo houve outro factor muito importante a justificar o vermelho, ainda que ligeiro, que se registou no final da sessão, refiro-me à subida de 0,6% no valor do U.S dólar, em particular pelo desempenho da economia norte-americana relativamente melhor do que o da economia europeia, que ontem teve mais notícias de cariz negativo, com os dados do IFO business climate na Alemanha e da confiança no sector da manufactura em França a saírem ambos abaixo das previsões, o que pressionou a moeda única para uma desvalorização de -0.6%, terminando nos $1.1155, que é o valor mais baixo de quase dois anos.

Já depois do fecho do mercado a Microsoft e a Facebook divulgaram resultados acima das previsões o que ajudou os títulos das empresas a valorizar no after-hours, com destaque para a empresa de social media que ganhou mais de 7%, sendo expectável que o optimismo seja transportado para a sessão de hoje, mais concretamente para o sector tecnológico.

O gráfico de hoje é do FB, o time-frame é Diário

Com a subida no after-hours os títulos do Facebook quebram os máximos de Agosto do ano passado, ficando a próxima resistência na linha azul, que são os máximos históricos.

Marco Silva