Análises de Mercado

Do inferno ao céu em apenas algumas horas

Nas primeiras horas de Quarta-feira passada e depois do ataque militar norte-americano de dia 3 de Janeiro que vitimou o general iraniano Qasem Soleimani, o mundo entrou num ciclone de emoções em que o pensamento omnipresente, que no entanto poucos se atreveram a vocalizar, era o de um possível conflito de proporções incertas, mas que poderia atingir a escala global. Isto porque o Irão tinha prometido uma “dura retaliação” ao ataque dos EUA e os primeiros relatos indicaram que algumas dezenas de misseis tinham atingido bases no Iraque onde estavam militares da coligação, um acto que para um presidente como Trump, que é mais beligerante que o normal, pelo menos na retórica, poderia dar a desculpa necessária para uma guerra aberta de consequências imprevisíveis.

A resposta dos investidores não se fez esperar e tal como seria normal a procura por activos refúgio disparou e o apetite pelo risco quase que desapareceu, levando os futuros do S&P500 a caírem cerca de -1,7% em menos de duas horas, enquanto que Ouro, Yen e petróleo registaram subidas significativas. Contudo assim que começaram a sair as primeiras notícias da ausência de vítimas derivadas dos ataques e depois com as declarações no Twitter de Trump sobre estar “tudo bem”, sem agravar a retórica de confronto, o sentimento virou quase tão rapidamente quanto tinha caído e não só os movimentos nos diversos activos foram invertidos na totalidade como houve espaço para que Wall Street tivesse atingido logo nesse dia novos máximos históricos, o que pinta bem o cenário da força que os Touros demonstram nesta fase.

Na sexta-feira e mais dentro de uma perspectiva de consolidação do que de correcção os índices de ambos os lados do Atlântico desvalorizaram ligeiramente após os dados dos non-farm payrolls, que não obstante terem sido piores que o esperado e menos robustos que os do mês anterior, não foram suficientemente maus para questionar a força do mercado laboral, com os 145,000 postos de trabalho criados em Dezembro. E assim sendo os investidores arrancam a semana preparados para dar mais um pouco de gás ao movimento ascendente, especialmente se a primeira fase do acordo comercial entre EUA e China for efectivamente assinado na quarta-feira e caso os resultados que começarem a sair da earnings season não suscitem grandes preocupações, o que não deverá ser difícil tendo em conta que como tem sido habitual as perspectivas não estão optimistas e como tal deverão ser batidas, podendo mesmo a contracção esperada nos lucros do quarto trimestre de 2019 dar lugar a um crescimento.

O gráfico de hoje é do Ouro, o time-frame é de 4 horas

Depois de ter efectuado um duplo topo (linhas azuis) logo no seguimento dos ataques do Irão, o metal precioso recuou podendo agora e após uma fase de consolidação, ir testar o nível dos $1,500 por onça.

Marco Silva

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