Date: 19 Out 2018

Se na terça-feira existiu uma confluência de eventos positivos que catapultaram os índices norte-americanos para o melhor dia em quase sete meses, ontem foi exactamente o contrário com um verdadeiro dilúvio de notícias que fizeram pender a balança dos investidores, já de si tremida após a sessão de quarta-feira. Para começar o sentimento já vinha condicionado do dia anterior, nomeadamente das minutas do FED que revelaram uma mentalidade mais Hawkish que o esperado por parte dos membros do banco central norte-americano, com alguns na disposição de vir a subir as taxas de juro acima do valor considerado neutral. De quarta-feira transitou igualmente a fraqueza no sector da construção e dos materiais, que foi prolongada com o downgrade do Bank of america aos títulos de três empresas do sector, reduzindo igualmente as previsões para o número de casas em inicio de construção, o que levou o U.S. Home Construction ETF a perder -2%.

Durante a noite mais um rude golpe contra os Bulls, o índice chinês Shanghai Composite perdeu -2.9% de valor atingindo o nível mais baixo de quase quatro anos, averbando uma perda desde Janeiro na ordem dos -30%, o que fez tocar a campainha da hipótese de que a segunda maior economia do mundo e principal motor do crescimento económico mundial poderá estar a abrandar, o que se deverá agravar caso a guerra comercial continue. As grandes exportadoras, como a Boeing e a Caterpillar sofreram desvalorizações relevantes, a segunda registou mesmo a maior do Dow Jones, índice que ainda assim esteve melhor que os seus principais parceiros, com o Nasdaq a liderar no vermelho ao terminar com um deslize de -2.06%.

Da e na Europa mais nuvens cinzentas devido à subida das yields da dívida italiana após a União Europeia dizer que o orçamento apresentado pelo executivo local é excessivo, desviando-se das recomendações, pelo que a Comissão Europeia pediu explicações. Mario Draghi também se referiu ao tema indirectamente ao afirmar que um dos riscos para a economia europeia é o dos países tentarem violar as regras dos orçamentos estabelecidas pela U.E. Por último o facto do secretário do tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, ter saído antes de tempo, de uma conferência de investimento na Arábia Saudita, o que agravou a possibilidade de um conflito diplomático entre os países.

Com tudo isto não foi surpresa alguma que os activos refúgio tenha sido os mais procurados, tanto no mercado accionista com as utilities e imobiliário a serem os únicos sectores a fugirem ao vermelho no S&P500, como no Forex, onde o U.S dólar voltou a lista dos activos mais seguros amealhando 0,4% contra um cabaz de outras moedas principais, igual medida registou o Yen, que avançou até aos 112,17, numa sessão onde o Euro e a Libra inglesa sofreram desvalorizações de -0.4% e -0.7%.

O gráfico de hoje é do Russell 2000, o time-frame é Semanal

O índice das small caps está relativamente mais fraco que os principais, tendo inclusive quebrado a linha inferior do canal ascendente em que se encontra, um indicador bearish.

Marco Silva

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