Date: 15 Abr 2019

Até o mais optimista dos Bulls dificilmente poderia antever um início de earnings season mais auspicioso do que aquele que ocorreu na sexta-feira, boas notícias de quase todos os quadrantes que fizeram as delícias dos investidores há vários dias sedentos de catalisadores de um movimento, e que pouco espaço deixaram para que os Bears pudesse ter impedido uma sessão toda ela passada em território positivo. Do campo económico o tema principal foi a China, depois de muita conversa e receios sobre um abrandamento do crescimento na segunda maior economia do mundo, os dados referentes às exportações bateram em mais do triplo as previsões dos analistas, com uma subida de 21,3% nas exportações no mês de Março, contra os 6,3% antecipados. O facto das importações terem desiludo pouca mossa fez no sentimento, não obstante tal dissonância ter causado uma subida muito acentuada do superavit comercial para mais de $32 biliões, quando se esperava um valor inferior aos $6 biliões, e mais importante o ganho face às trocas com os EUA acabaram nos $20 biliões, acima dos $14 biliões previstos, o que não é um dado apaziguador das tensões existentes entre EUA e China, numa altura em que as negociações se arrastam sem resultados concretos.

Outras duas notícias do sector empresarial foram igualmente fomentadoras de pressão compradora, nomeadamente o anúncio de intenção de compra da Anadarko Petroleum por parte da Chevron por $33 biliões, tornando-a na maior transacção dos últimos três anos no sector da energia. O outro evento bullish foi o anúncio da Disney do seu novo serviço de streaming para Novembro, com um preço de $6,99 por mês, bem inferior ao da rival Netflix, permitindo à empresa criada pelos irmãos Disney uma valorização superior a 11%, o que ajudou o Dow Jones, onde a mesma pertence, a registar a melhor performance do dia entre os principais índices, com um ganho de 1,03% versus os 0,46% do Nasdaq, o que menos subiu.

Índice industrial que beneficiou igualmente dos resultados da J.P. Morgan, o maior conglomerado financeiros dos EUA bateu as previsões registando um lucro trimestral recorde de $9,18 biliões, mais $1,5 biliões que o previsto, fruto de receitas muito próximas dos $30 biliões, igualmente bem acima das estimativas, resultados atingidos devido à subida dos juros nos EUA, bem como das receitas dos negócios de rendimento fixo, dando motivos para que os títulos da empresa valorizassem 4,69%, o que contagiou o sector financeiro para o melhor resultado da sessão no S&P500, não obstante as acções da Wells & Fargo terem recuado -2,62% no seu valor, apesar da empresa ter reportado lucros acima do previsto, só que desiludiu no outlook.

No mercado cambial destaque para a Libra inglesa que após uma valorização inicial acabou praticamente inalterada no dia em que Theresa May aceitou a data indicada pela União Europeia para a extensão do Brexit. A moeda única acabou por ser a que melhor comportamento teve com um ganho de 0,4% para os 1.1296, ao passo que o Yen recuou -0,4% com uma menor apetência por activos refúgio, segurança que teve igualmente tradução na queda do índice da volatilidade, o VIX, habitualmente associado a quedas no mercado accionista no curto prazo e que perdeu mais de 9% para os 11.

Esta semana irão sair alguns dados económicos importantes, como o PIB da China, o Beige book e as vendas a retalho nos EUA, contudo serão muito provavelmente os resultados das empresas a ditar o movimento em Wall Street e restantes principais praças mundiais.

O gráfico de hoje é do GBP/USD o time-frame é Semanal

O par de moedas Libra inglesa/U.S dólar, continua dentro de um canal wedge (linhas azuis), que poderá identificar zonas de inicio de um movimento acentuado caso os seus limites sejam quebrados

Marco Silva