Date: 27 Mar 2019

Não, não há lapso no título deste texto, a incongruência serve para ilustrar uma outra incongruência maior, a do processo a que o mesmo se refere, o Brexit, que hoje poderá ter mais uns capítulos inusitados sem que à partida se saiba o que sairá das várias moções que se prevêem sejam propostas na câmara dos comuns do Parlamento do Reino Unido. Ontem houve palco para mais um sub-capitulo desta novela, com rumores de que vários membros do partido conservador de Theresa May, que têm estado contra a primeira-ministra e o seu plano, poderão mudar o seu sentido de voto mas com um preço, a sua demissão. Boris Johnson, antigo secretário de estado dos negócios estrangeiros, pró-Brexit e apontado como um potencial sucessor ao cargo, referiu ontem que para o acordo de saída fazer algum sentido terá de haver uma mudança significativa na sua abordagem.

Seja como for nada está garantido dada a imprevisibilidade das moções a serem propostas, sendo contudo cada vez mais provável que não exista a aprovação do acordo até sexta-feira, conforme estabelecido com a U.E, o que poderá resultar num pedido de extensão do prazo para mais negociações, que tenderá a ser de média duração, um ano ou mais. Do outro lado do Atlântico os investidores suspiram por outro acordo, desta feita um que acabe com a guerra comercial entre os EUA e a China, estando programadas reuniões nos próximos dias entre representantes dos dois países.

Em Wall Street o dia foi de optimismo generalizado mas não muito convincente, com um volume de transacções cerca de 15% inferior à média dos últimos 20 dias, e não menos importante com pouca estabilidade nos movimentos, visto que até à meia hora final os índice perderam boa parte dos ganhos que tinham amealhado até à primeira hora de trading, valendo-lhes no entanto um rebound nos derradeiros minutos do dia que colocou os ganhos entre os 0,55% do Dow Jones e os 0,72% do S&P500. Boa parte da valorização adveio de dois sectores, as energéticas, que beneficiaram da subida de 1,9% no preço do WTI crude, lideraram os ganhos no S&P500, no dia em que o ministro da energia da Rússia indicou que o seu país irá conseguir cumprir com o corte acordado com a OPEP. Igualmente forte esteve o sector financeiro, que registou uma sessão de rebound, após uma queda acentuada derivada da redução das taxas de juro das obrigações soberanas dos EUA.

No campo económico de realçar mais uma desilusão, o importante índice de confiança dos consumidores norte-americanos saiu nos 124.1, bem abaixo dos 132,5 esperados, o que não impediu uma valorização de 0.2% no valor da moeda norte-americana contra um cabaz de outras moedas principais. empurrando o Euro para os $1.1268, após um recuo de -0.4%. Já o Yen cedeu 0.5% terminando nos 110.57, num movimento de alguma redução de activos refúgio no portefólio dos investidores.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é Diário

Caso o S&P500 valide o padrão de duplo topo em formação, o activo poderá vir a testar o nível onde encontra a linha azul

Marco Silva