Date: 04 Set 2017

Um dos temas mais comuns o ano passado foi o da possibilidade do FED retomar a subida dos juros, após a primeira mexida ascendente em quase uma década, quando o custo do dinheiro passou dos 0% que vigorou desde 2008, até meados de Dezembro de 2015, para os 0,25%. Muito se especulou sobre a capacidade da economia absorver o impacto desse movimento, contudo o maior assunto dentro deste tema foi sempre que quando os dados económicos indicavam a não obrigatoriedade do banco central em mexer na taxa, os investidores do mercado accionista reagiram reforçando os seus investimentos, o que levava à subida de Wall Street, apesar dos aparentes fundamentos económicos contra tal desfecho, em suma, o dinheiro fácil e barato teve mais importância que a robustez da economia, pelo menos o ano passado. Ora, sexta-feira o mercado teve um déjà vu desse sentimento ao reagir positivamente aquando dos non-farm payrolls, que saíram bem abaixo do esperado, nos 156,000 contra os 180,000 novos empregos previstos, ao mesmo tempo que a revisão dos dois meses anteriores retirou 41,000 empregos aos números apresentados à data.

É certo que sexta-feira também foi conhecido que em Agosto ocorreu a maior expansão em seis anos na produção industrial dos EUA e que a confiança dos consumidores subiu para máximos de três meses, contudo tais dados seriam insuficientes para impedir uma reacção adversa dos investidores aos números dos non-farm payrolls, caso não existisse o interesse superior pela manutenção de um ambiente de juros baixos por um período de tempo ainda mais prolongado, as próximas semanas deverão clarificar se tal foi apenas um evento ocasional, ou se essa mentalidade voltou para ficar. Mas para além disso o mercado irá lidar com o teste nuclear efectuado este fim de semana pela Coreia do Norte, o mais potente de sempre, que causou um tremor de terra de 6,3 na escala de Richter, acto que foi alvo de vários tweets de Trump, um deles clarificando que a única solução para a situação é só uma e não é conversa, nem tentativa de acalmar os ânimos, resta saber se os investidores vão passar ao lado do assunto, como ocorreu há uns dias, ou se desta feita o cepticismo sobre uma estabilização do conflito, vai prevalecer. Em qualquer dos casos, cautela é aconselhada em posições alavancadas, pelo menos para os próximos dias de trading, até porque vai ocorrer igualmente o regresso aos trabalhos por parte do congresso norte-americano e deverão surgir alguns temas importantes para discutir, como a reforma fiscal e o aumento do tecto da dívida.

O gráfico de hoje é do VIX, o time-frame é diário

O índice da volatilidade do S&P500, ou o índice do medo está numa fase descendente após a subida recente, será que os próximos dias o levarão a testar a linha superior do canal descendente (linhas vermelhas), ou ao invés voltará para níveis historicamente baixos? No primeiro caso significaria um mês de Setembro bem mais mexido do que o restante ano.

Marco Silva