Date: 26 Jun 2019

À entrada para a sessão de ontem os investidores tinham algumas expectativas, nomeadamente duas, uma menos provável que era a de um entendimento entre Trump e Xi na reunião do G20 no final desta semana. A outra, bem mais exequível era um corte dos juros na próxima reunião do FED, mesmo a terminar o mês de Julho, expectativa aliás que ainda existe, com os futuros do FED funds a darem como certo tal movimento. Contudo durante a terça-feira ambas as previsões foram afectadas, desde logo quando a Casa Branca, veio colocar água na fervura ao referir que os EUA não irão aceitar mais concessões nas negociações, e que Trump está perfeitamente confortável com qualquer resultado que saia da reunião entre os dois responsáveis pelas duas maiores economias do mundo, algo que o próprio já tinha afirmado anteriormente.

Já em relação ao corte nos juros o tema não foi posto de parte, mas certamente que foi reduzido o entusiasmo sobre numa eventual descida de 0.5% no preço do dinheiro, após o presidente do St. Louis Fed, James Bullard, o único a ter votado para um corte na reunião deste mês, ter dito que uma redução dessa magnitude não era verossímil. Para além disso, Jerome Powell também não deixou de relativizar a “necessidade” de uma acção já em Julho, ao afirmar que o FED iria avaliar primeiro se existirá ou não essa necessidade, referindo igualmente, que o banco central a que preside não se move por interesses políticos de curto prazo, numa resposta à recente critica de Trump, que acusou Powell de não saber o que está a fazer.

O arrefecer do optimismo levou a uma pressão vendedora que teve especial significado no sector tecnológico, com o Nasdaq a ceder -1.51%, em boa parte devido à queda de -3.16% dos títulos da Microsoft, após um analista da Jefferies ter tecido algumas reservas quanto à capacidade do segmento da Cloud da empresa, a Azure, em conseguir acompanhar a líder de mercado, a AWS da Amazon. A posição aparentemente menos dovish por parte dos responsáveis do FED abriu espaço a um descanso na desvalorização do U.S dólar, que ontem amealhou 0.1%, relegando o Euro e a Libra inglesa para quedas de -0.3% e -0.4% respectivamente.

O gráfico de hoje é do Ouro, o time-frame é Semanal

O preço do metal precioso quebrou em alta a linha superior do canal ascendente a azul, o que poderá provocar alguma resistência nesta zona, sendo que existe outro local de resistência um pouco mais acima, na linha superior do canal a laranja.

Marco Silva