Date: 05 Dez 2018

Durou muito pouco tempo o optimismo criado com as tréguas do conflito comercial, aparentemente acordadas entre os presidentes das duas maiores economias do mundo. Digo aparente porque bem mais cedo do que seria de esperar na sessão de terça-feira começou a ser evidente que por enquanto o que existe é uma mão cheia de nada. A começar por informações contraditórias sobre a data de início da moratória, que o conselheiro económico de Trump disse ser apenas a 1 de Janeiro, para ser mais tarde desmentido por fontes da Casa Branca que confirmaram que começaram no dia 1 de Dezembro. Depois foi Trump numa série de tweets a referir-se ao possível acordo como algo ainda muito incipiente, primeiro abrindo a porta a uma extensão das tréguas de 90 dias e depois ao dizer que se o entendimento for alcançado muito bem, mas que se as negociações não chegarem a bom porto então ele será o sr. tarifa, disse.

Por fim foi a vez do Washington Post ter noticiado que a delegação chinesa ficou algo confusa com a chuva de informação veiculada pelos norte-americanos visto que eles não confirmam sequer que aceitaram a duração de 90 dias para as tréguas, nem de que iriam começar a começar mais produtos agrícolas dos EUA, como indiciado por Trump. O resultado foram quedas generalizadas superiores a -3% nos índices norte-americanos, um dilúvio de pressão vendedora no sector industrial e dos materiais, com especial incidência nas grandes exportadoras, como a Boeing e Caterpillar, que lideraram nas perdas no Dow Jones. Contudo o vermelho mais carregado no S&P500 esteve a cabo das financeiras, que cederam -4.4% devido ao receio de uma redução das margens operacionais da banca devido à inversão do spread entre obrigações de curta duração e de maior duração, um tema que referi ontem e que foi um dos principais temas de conversa e preocupação durante a sessão de terça-feira, até porque segundo um estudo do San Francisco FED as últimas 9 recessões nos EUA foram precedidas em 6 a 24 meses por este fenómeno de inversão dos spreads.

No Forex o dia foi relativamente calmo com excepção do Yen, que em conjunto com os restantes activos refúgio esteve sobre forte pressão compradora, o que lhe valeu um ganho de 0,8% para os 112.77. Hoje Wall Street estará encerrada devido ao feriado do luto pela morte do ex-presidente George H. Bush.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 12 horas

Confirma-se após a forte queda de ontem, que o máximo recente neste índice foi o terceiro ponto de um topo triplo, estando agora a linha vermelha como zona mais imediata para um possível rebound.

Marco Silva

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