Análises de Mercado

Depois da esperança chega o momento da verdade em Wall Street

Depois de dois meses de quedas como nunca se tinha vivido nos mercados norte-americanos, nomeadamente na velocidade, com o S&P500 a ceder 30% num espaço de tempo recorde que bateu inclusive a fúria vendedora da correcção da Grande Depressão de 1929, em Abril os Touros rejuvenesceram e encontraram força na esperança de um regresso das economia ao “trabalho” no curto prazo, e se bem que de forma gradual é um progresso em relação aos piores cenários que colocavam a paragem em mais tempo, sendo que não é de descurar o facto das notícias que saíram recentemente e com alguma frequência, sobre tratamentos para os doentes de COVID-19, ou mesmo vacinas, o que ajudou a criar uma base de expectativas nos investidores, também derivada dos anúncios de vários países europeus e de Estados norte-americanos sobre o fim das medidas mais restritivas das quarentenas.

O resultado deste optimismo foi um dos melhores meses de que há registo para o principal índice accionista, não tendo sido mais espectacular devido às ultimas duas semanas que retiraram algum brilho dos ganhos das quatro anteriores, mas ainda assim é de realçar que o S&P500 saiu de um mínimo de 2,181 pontos a 23 de Março para tocar nos 2,971, no último dia de Abril. Um movimento a todos os níveis impressionante, tendo em conta que os máximos históricos estão nos 3,397 pontos e de lá para cá o mundo deu uma grande volta, com uma recessão global para este ano, já hoje assumida pelas principais economias, e mesmo que a recuperação seja uma realidade no curto-prazo, será gradual o que coloca o tema da avaliação de mercado como um dos que poderão surgir já esta semana, caso os Touros voltem à carga.

Outro tópico que será muito relevante nas próximas duas semanas será o do impacto da reabertura da actividade no desenvolvimento da situação de saúde pública, conseguirão os países ou Estados conter e reduzir a presença do vírus com mais situações de risco? Será a segunda vaga da pandemia uma ameaça real e quais as suas consequências mesmo com a possibilidade de tratamentos no curto prazo, dado que vacinas poderão demorar mais uns meses. Estes serão os pontos de ruído nesta semana que hoje se inicia, uma vez ultrapassadas as reuniões dos principais Bancos Centrais, bem como os dados dos PIB´s dos EUA e Zona Euro.

Por fim destaque para a Berkshire Hathaway de Warren Buffett, cujo portefólio de investimentos é sempre alvo de vigilância apertada por parte dos investidores. Foi muito relevante o facto de Buffett, quase sempre confiante na economia norte-americana, ter desinvestido no mercado até final de Março, adicionando mais $10 mil milhões ao monte de dinheiro disponível, que atinge agora os $137 mil milhões. Veremos quando o mais respeitado investidor do mundo vai dar o sinal de partida para recomeçar a colocar mais risco em cima da mesa, será um indicio importantíssimo de confiança para o mercado.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é Semanal

Muito interessante o facto deste índice ter tocado na média móvel dos 50 períodos (linha verde) e retraído imediatamente, o que poderá significar que foi essa a zona de resistência principal para este movimento de recuperação.

Marco Silva

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