Análises de Mercado

David contra Golias abana Wall Street

Os mercados financeiros têm muito poucos exemplos de casos onde os peixes pequenos, como os traders individuais, conseguem forçar os grandes tubarões, como os hedge funds, a fechar posições com perdas consideráveis, o mais aproximado que já ocorreu foi a associação de pequenos investidores a outro investidor já com algum peso, para forçar empresas ou fundos a aceitar outro rumo nos seus negócios ou até a condicionar ofertas de fusões e aquisições. Mas nestes últimos dias Wall Street foi palco de um evento com consequências ainda desconhecidas, e que se estenderam para praças financeiras na Europa e na Ásia. Refiro-me ao “short squeeze”, que um “exército” de pequenos traders conseguiu provocar em alguns hedge funds, depois de forma coordenada terem comprado um elevado volume de títulos em acções com um rácio significativo de interesse short, ou seja investir na queda dos titulos, sendo o caso mais conhecido o da GameStop, que valorizou cerca de 500% em poucos dias, provocando rombos consideráveis nos fundos da Melvin Capital Management e Citron Capital, que foram forçados a fechar as suas posições short na empresa.

O short squeeze é um evento muito comum na história dos mercados, contudo os seus impulsionadores foram até hoje os grandes fundos, com um capital em gestão que lhes permitiu condicionar o comportamento de um determinado título. Mas vivemos tempos diferentes, nomeadamente no que diz respeito à capacidade das pessoas comunicarem entre si e de coordenarem acções, o que tem originado eventos virais absolutamente inacreditáveis, sejam eles a partilha nas redes sociais de um video ou de contestação a uma qualquer decisão de governo ou empresa. Na realidade, a união de inúmeros traders para um determinado objectivo era apenas uma questão de tempo, dado que no caso do short squeeze existem algumas variáveis que facilitam o encurralar dos que estarão contra esse exército de traders.

A questão que se coloca agora é como irá evoluir este movimento, sendo que dois importantes intermediários suspenderam as negociações nos títulos alvo das compras organizadas, o que não está a ser bem recebido por alguns políticos nos EUA, que já prometeram avaliar a situação, dado que isso limita o normal funcionamento do mercado que sempre teve, tem e terá excessos, mas nunca houve limitações quando foi na subida de títulos, mas sim quando houve manipulação em baixa, sendo normal inclusive a proibição de short selling temporariamente.

Será um tema a seguir com atenção, dado que se abriu uma caixa de Pandora, uma operação que sempre esteve disponível para ser executada por pequenos investidores, mas que por falta de coragem ou de coordenação dos envolvidos nunca tinha sido operacionalizada, criando agora um patamar de risco adicional para todas as estratégias de investimento que apostem na queda do preço dos titulos.

O gráfico de hoje é do XLF, o time-frame é semanal

Como se pode verificar no XLF, o sector financeiro tem estado francamente menos forte do que o restante mercado tendo apenas agora atingido os máximos que tinha alcançado na era pré-CIVD, uma zona que já ofereceu alguma resistência extra a mais valorizações no curto prazo.

Marco Silva

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