Date: 16 Ago 2017

Se dúvidas houvessem sobre o regresso da acalmia ao mercado após uma semana de aparente sobressalto devido à retórica agressiva entre Trump e a Coreia do Norte, estas foram desfeitas ontem por este último, depois da agência noticiosa estatal da Coreia do Norte ter anunciado o adiar, por parte de Kim Jong Un, da decisão de enviar misseis para perto da ilha de Guam, aguardando agora pelo que Trump irá fazer, ou seja como era expectável tudo não passou de um jogo de palavras que beneficiou ambos os seus intérpretes no campo politico interno. Com o factor geopolítico fora da balança da decisão, os investidores concentraram-se ontem nos dados económicos, e esses vieram colocar ainda mais volatilidade quanto à possibilidade do FED vir a efectuar outro aumento de juros este ano, nomeadamente em Dezembro, isto porque se na sexta-feira a inflação deixou as expectativas baixas para a probabilidade desse movimento ocorrer, ontem as vendas a retalho nos EUA, vieram inverter esse resultado, ao subirem ao ritmo mais elevado deste ano, reforçando a ideia de que os consumidores estão confiantes e com capacidade para gastar, o que sustentará o crescimento dos lucros das empresas.

Contudo e apesar dos bons dados económicos o sector retalhista esteve sobre forte pressão vendedora, o que levou o SPDR S&P Retail ETF para um recuo de 2,7%, um dos causadores da derrocada foi a Home Depot onde nem os resultados acima das expectativas que foram divulgados, nem tão pouco o outlook optimista, foram suficientes para evitar uma desvalorização de 2,7%, o que fez com que fosse o principal motor dos Bears no S&P500 e no Dow Jones, tudo porque os investidores estão apreensivos sobre qual será o impacto da restrição da oferta no mercado imobiliário nos resultados futuros da empresa.

Com o alivio da tensão geopolítica e a qualidade dos números das vendas a retalho, não foi de estranhar que o U.S dólar tivesse tido um dia com procura acentuada, valorizando 0,4% contra um cabaz de outras moedas principais, empurrando a moeda única para uma queda de 0,4% e para o mínimo de três semanas versus a moeda norte-americana. A libra inglesa ainda esteve mais fraca e cedeu 0,8% para os $1.2865, que é o valor mais baixo de um mês, o pessimismo adveio dos dados sobre a inflação no Reino Unido, que saiu nos 2,6%, abaixo dos 2,7% esperados, o que arrefeceu as perspectivas para a necessidade de um aumento dos juros por parte do BOE.
O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é Semanal

O principal índice mundial continua a resistir a um movimento significativo para qualquer dos sentidos, o que favorece a continuação da tendência ascendente actual, estando neste momento a respeitar um canal interno de menor dimensão (vermelho)

Marco Silva