Date: 15 Nov 2017

Pela segunda sessão consecutiva a desvalorização acentuada dos títulos da General Electric, que ascende a -12% esta semana, condicionou em particular o sector industrial mas também o sentimento geral, até porque ao contrário de segunda-feira, desta feita ontem os Bears tiveram a ajuda do sector das telecoms e da energia, com quedas de -1,43% e -1,54% respectivamente, este último devido ao recuo dos preços do Crude depois da Agência Internacional da Energia ter indicado um aumento da produção dos EUA e um nível de procura futura abaixo do previsto anteriormente, empurrando o WTI para uma perda de -2,1% nos $55.55 por barril. Este é aliás um movimento para o qual já referi anteriormente por diversas vezes, nomeadamente o facto de a partir dos $40 por barril os produtores de shale oil nos EUA “ligarem” os seus poços de forma quase instantânea, criando na prática um aumento rápido da oferta e assim um tecto técnico para o valor do activo, ao que se junta a questão do Crude ser a prazo uma fonte de energia obsoleta pelas renováveis, pelo menos para o mainstream da produção de energia, incluindo para os transportes, ou seja, o futuro dos fundamentos do preço do crude é feito de muito menor procura.

Na Europa o sentimento continuou negativo e o Stoxx 600 registou a sexta queda consecutiva, que colocou o índice em mínimos de sete semanas. Em sentido inverso esteve o Euro, que valorizou pela quinta sessão consecutiva, ontem +1,1% para os $1.179, ou o valor mais alto de quase três semanas, isto depois dos dados relativos à boa performance da economia da zona euro, mais concretamente do PIB da Alemanha que cresceu 0,8% em Setembro, batendo assim as previsões de uma subida de 0,6%. O U.S dólar cedeu -0.5%, numa altura em que se afigura como muito incerta a aprovação da reforma fiscal nos EUA, estando previsto para amanhã o voto sobre a proposta da Casa dos Representantes, faltando depois a proposta do Senado e a conciliação entre ambas, para a lei chegar à aprovação de Trump.

 

O gráfico de hoje é do BRA50, o time-frame é Diário

Tal como tinha referido em análise anterior o índice brasileiro estava dentro de um padrão de Head&Shoulders validado, tendo ontem atingido o objectivo inicial do short (linha azul).

Marco Silva