Date: 14 Fev 2020

Não era de todo inesperado uma reviravolta nas perspectivas relativas à situação da epidemia do coronavírus, porque desde o início da crise foi claro que as autoridades chinesas estavam a correr atrás do prejuízo e muito atrás da evolução da crise, daí que as medidas que tenham tomado tenham sido ímpares na história da humanidade, no que ao combate de uma emergência médica diz respeito. O facto do número de casos de infectados ter disparado num só dia em cerca de 15,000 e com mais 250 vitimas mortais, quase todos reportados na província de Hubei, que está no epicentro da epidemia, deriva de uma alteração metodológica na avaliação e classificação dos incidentes, nomeadamente com a utilização da tomografia computadorizada para identificar infecções nos pulmões, confirmando assim a presença do vírus.

Mas não obstante esta subida dramática, que muitos investidores já esperavam pelos relatos não oficiais que circulam em várias agências de informação, os factos continuam a estar fora do campo do pânico, recordo que estamos a falar de um país com uma população de 1,6 mil milhões de habitantes, e para já existem cerca de 50,000 infectados a nível global, quase todos na China. Daí que a reacção do mercado hoje, após uma sessão com novos máximos históricos, seja mais de cautela devido à incerteza sobre se existirão novas reavaliações que elevarão o cenário para um patamar bastante mais grave, bem como sobre a imprevisibilidade do impacto económico da epidemia.

Impacto esse que certamente continuará a ser dominante na segunda economia do mundo, com o sector dos serviços a ser fortemente prejudicado, por exemplo nas reservas para as refeições no dia dos Namorados que caíram a pique para valores residuais. Mas as principais economias do mundo serão certamente afectadas, o que poderá ser a gota de água que irá transbordar o copo da recessão na Europa, não apenas pela diminuição das exportações das principais empresas para a China, pela redução de produtos importados do país asiático para posterior manufactura de outros ou venda directa, mas também no sector dos serviços, como foi o caso do recente cancelamento do importante evento em Barcelona da indústria das comunicações móveis, o Mobile World Congress que é a montra das principais empresas do sector representa quase 500 milhões de euros em receitas e 14,100 empregos de part-time para a cidade.

Não é igualmente de admirar que os activos refúgio estejam por agora a ter a preferência dos gestores de investimento, com o Yen e o Ouro a valorizarem 0,3% e 0,7% respectivamente.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Semanal

O principal par de moedas está na zona de GAP aberta em 2017, um local que a não ser aguentado pelos Touros poderá levar o activo a ir rapidamente testar os mínimos desse ano, ou até mesmo a paridade.

Marco Silva

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